terça-feira, 16 de março de 2010

Umbanda e Quimbanda


Umbanda e Quimbanda
Pomba Gira são entidades espirituais imensamente faladas, e sobre as quais versa imensa controvérsia e debates religiosos. Há quem afirme que Pomba Gira é uma entidade espiritual que assiste apenas a trabalhos Kimbanda, (nas versões européias da bruxaria, corresponde á magia negra), ao passo que muitos afirmam que Pomba Gira assiste tanto á linha Umbanda, (no esoterismo europeu corresponde á Magia branca), como Kimbanda. Outros ainda, defendem que Pomba Gira é uma entidade espiritual chamada essencialmente a trabalhos esotéricos daquilo a que na magia ocidental se chama de magia vermelha. Seja como for, muitos professam que Pomba Gira é simplesmente uma entidade espiritual ligada ao mundo terreno, ao passo que outros afirmam que pomba gira é um Exu. Um Exu é um Orixá africano, ou seja: um mensageiro entre o mundo terreno e o mundo espiritual, ou seja: entre o céu e a terra, que na teologia crista, que igualmente corresponde Orun e Aiye, nas religiões Africanas.
Nas mitologias ocidentais, a figura de um Orixá poderia ser vista com alguma latitude de interpretações: alguns defendem que é um Deus, outros que um anjo. È a este mensageiro, (Orixá), que no decorrer de um processo místico, (seja de contacto com espíritos, seja de encomenda de serviços), todas as oferendas devem cerimoniosamente ser dedicadas, a fim de garantir que o trabalho espiritual realizado decorra com sucesso.
Exu é um Orixá de temperamento vivo e brincalhão. Exu também é conhecido por possuir um voraz apetite sexual. Exu gosta das coisas carnais e dos prazeres deste mundo, é luxurioso, por vezes indecoroso e provocador. Exu é astuto como a serpente, e por todos esses motivos, os primeiros Cristãos a contatar com os povos Africanos, encararam esta divindade, (representada pelo falo ereto, um símbolo da fertilidade), como a encarnação de Satanás junto dos povos africanos. Por esse motivo, os cultos ligados a Exu foram fortemente reprimidos, e a religião Africana acabou encontrando formas de secretamente perpetuar as suas crenças, ao associar figuras da teologia Crista, (anjos, santos, santas, etc.), a entidades do seu próprio culto religioso. Dessa forma, os padres e missionários cristãos achavam ter conseguido uma plena conversão dos povos colonizados quando observavam os rituais nativos de veneração a essa fugiras cristas, desconhecendo que secretamente se estavam a perpetuar as crenças religiosas originais.
Pomba gira é vista como um Exu feminino, um mensageiro entre este mundo e o mundo espiritual, um espírito, (que nas religiões Abraamicas do deserto seria certamente visto como um anjo), de forte e vincada personalidade. Pomba gira é um espírito feminino também de luxúria, sendo que todos os prazeres e coisas deste mundo lhe são agradáveis.
Muitos crentes, afirmam que pomba gira não é uma entidade, mas sim um conceito que serve para identificar certa categoria de espíritos.
Há quem também afirme que os espíritos chamados «pomba gira», são espíritos de mulheres que em vida foram amantes, prostitutas, ou simplesmente mulheres especialmente ligadas ao prazer das coisas da carne, e que morrendo se transformam em poderosas entidades espirituais.
Estes espíritos femininos são capazes tanto de um grande mal, (desviar comportamentos sexuais, causar tentações, separar casais, concretizar cruéis vinganças, separar famílias, etc.), como de um grande bem (unir casais, salvar casamentos, devolver harmonia ao lar, etc.).
Sendo espíritos de mulheres falecidas, essas entidades tendem a reencarnar periodicamente neste mundo. As que ainda não reencarnaram, tendem a procurar médiuns com os quais se possam relacionar e assim incorporar temporariamente.
Normalmente um espírito Pomba Gira incorpora numa mulher, embora haja casos em que se afirma que tal sucede em homens. Afirma-se também que nesses casos, a fortíssima influencia espiritual de pomba gira num homem, poderá distorcer a sua orientação sexual, mas tal não se encontra provado.
Afirma-se na teologia Umbanda e Kimbanda, que pombo gira, (o conceito que serve para distinguir toda uma linhagem de espíritos femininos), constitui na verdade uma enorme legião, subdividida em ramos distintos: existem pombas giras ligadas ás encruzilhadas, (Pomba Gira das 7 encruzilhadas), bem como pombas giras ligadas a locais ermos, (Pomba Gira Maria Mulambo), como pombas giras relacionadas com ciganas, (pomba gira Cigana), como pombas giras afetas aos cemitérios, (pomba gira Calunga).
No decorrer de um processo espiritual, milhares de pessoas já afirmaram ter visto os seus desejos concretizados através deste tipo de entidade, ao passo que outras viram todo o tipo de alterações milagrosas suceder na sua vida.
As oferendas realizadas a pomba gira, são: charutos, bebidas fortes, cigarros de boa qualidade, flores vermelhas, espelhos, jóias bonitas e brilhantes, licores, bijuterias, perfumes e tudo aquilo que um espírito feminino adora.
Os locais de oferenda variam consoante a natureza da pomba gira em questão.
As pombas giras são entidades espirituais de forte personalidade, pelo que jamais se poderá quebrar a palavra dada, nem violar os termos de uma instrução, nem mostrar desrespeito. Qualquer uma dessas falhas pode resultar em trágica conseqüência.
Contam os crentes, que em certas noites, podemos ouvi-las cantando e dançando nos locais mais inesperados, (lugares ermos, cemitérios), e sentir o perfume doce e feminino das suas presenças invisíveis. Nessas noites, convém afastar-se rapidamente desse local, sem olhar para traz, com todo o respeito e discrição, respeitando a intimidade dessas valorosas Exu feminina.

Existem muitas linhas de Pombas-Giras atuantes na vida de cada pessoa, e cada uma manifesta-se de acordo com a seriedade do médium, se forem realmente Pombas-Giras. Usando da mente imunda de muitos que procuram estas entidades para prática de ações malignas, existem atuantes entidades que se fazem passar por Pombas-Giras que oferecem seus trabalhos em terreiros de Quimbanda, cujo não trabalham subordinadas às leis de Deus e sua outorga Divina, cujo na Umbanda nominamos de Kiumbas, que são entidades que não estão inseridos em falanges, mas exercem ações mágicas, comandados por seres de baixíssimo astral (demônios infernais) e afins.

As Pombas-Giras superficialmente podem ser classificadas em:
  • Linha do Ar – Exemplo: Maria Padilha, Rosa dos Ventos, etc.;
  • Linha das Encruzilhadas – Exemplo: Pomba-gira Rainha das 7 Encruzilhadas, etc.;
  • Linha do Cemitério_ Exemplo: Pomba-Gira da Calunga, Pomba-gira das Almas, etc.;
  • Linha das Ciganas_ Exemplo: Pomba-gira Cigana;
  • Linha das Matas_ Exemplo: Pomba-gira Maria Mulambo;
E demais linhas aqui não citadas...

Suas oferendas são inúmeras, sempre acompanhadas de champagne de boa qualidade, bons vinhos, bebidas fortes como o gim, Bourbon e em isolados casos a pinga. A ela são oferecidos cigarrilhas e cigarros de boa qualidade, rosas vermelhas, sempre em numero impar, mel, licor de anis (uma de suas bebidas preferidas), espelhos, enfeites, jóias, bijuterias de boa qualidade, anéis, batons, perfumes, enfim todo o aparato que toda mulher gosta e preza.
Muito pouco se conhece sobre a entidade Pomba-gira, mas o nome Pomba-gira tem sido muito mal empregado por religiões diversas, cujo deturpam as condições fundamentais de cada entidade de Umbanda, a Justiça e a Lei de Deus. Muitos seres podem se alto nominar Pomba-gira, mas a verdadeira Pomba-gira de Lei, como são chamadas na Umbanda, só as que tem e seguem princípios dos tronos de Deus, os sagrados Orixás.

  • Maria Padilha
Maria Padilha - nome que significa Rainha do Fogo é uma entidade da quimbanda. Ela já teve várias encarnações na Terra, e a última delas foi em Ilhéus na Bahia. Nesta sua última encarnação, ela era uma espanhola que veio para o Brasil, morar em Ilhéus na Bahia e foi morta na porta de um cabaré. Todos os homens que ela teve, em cada uma das encarnações, num total de sete, estão com ela na espiritualidade.
Há uma profecia que conta que, Maria Padilha, a rainha das rainhas será reverenciada, pois a sua missão é de converter o homem que ela ama (Lúcifer, anjo das trevas) para a luz. Eles vão entrar na casa de Deus ambos de branco. Ela sentará ao lado de Jesus Cristo e ele aos pés de Cristo. Maria Padilha salvará 7000 almas e entregará as chamas do inferno mais 7000 almas. Seus "Trabalhos" prediletos são na área do amor, a maioria dos trabalhos amorosos do Templo de são feitos através de Maria Padilha das Almas.
Maria Padilha é uma entidade também conhecida como Dona Maria Padilha, na Umbanda e Candomblé ela é considerada a Rainha das Pomba Giras, Rainha do amor. Ela é um Exú feminino, assim como Maria Mulambo é uma das mais respeitadas.

  • Maria Mulambo
Entidade bastante conhecida nos cultos afro-brasileiros é uma Pomba-Gira que em sua última vida terrena, morreu na mais completa miséria material, o que lhe valeu a alcunha de Mulambo, pelo estado das roupas que trajava.
Na umbanda, a Pomba Gira Maria Mulambo responde na linha de Oxossi. O termo Mulambo, por ser pejorativo, não evidencia a natureza do trabalho da Pomba-Gira Maria Mulambo. Não podemos aqui minimizar a atuação desta entidade definindo unicamente uma atuação à sua natureza. A entidade Pomba-Gira de um modo geral é muito mal decifrada, ou seja, pouquíssimo conhecida por muitos cultos paralelos a Umbanda e inclusive por muitos sacerdotes da própria Umbanda Sagrada.

  • Espiritismo
Segundo a visão do espiritismo Pomba Gira é um espírito que atua no sentido de obsediar mulheres para desfrutar dos prazeres da bebida, do fumo e do sexo, uma vez que, incorporada em um médium poderá maliciosamente conversar e interferir na vida das pessoas que com ela se envolvem.

  • Ciganos na Umbanda
Os Espíritos Ciganos são também, uma linha de trabalhos espirituais que busca seu espaço próprio, pela força que demonstram em termos de caridade e serviços a humanidade. Seus préstimos são valiosas contribuições no campo do bem-estar pessoal e social, saúde, equilíbrio físico, mental e espiritual, e tem seu alicerce em entidades conhecidas popularmente com "encantadas".
São entidades que há pouco tempo ganharam força dentro dos rituais da Umbanda. Erroneamente no começo eram confundidos com entidades espirituais que vinham na linha dos Exus, tal confusão se dava por algumas ciganas se apresentarem como Cigana das Almas, Cigana do Cruzeiro ou nomes semelhantes a esses utilizados por Exus e Pombas-Gira. Hoje, o culto está mais difundido, se sabe e se conhece mais coisas sobre essas entidades, chegando algumas casas a terem um ou mais dias específicos para o culto aos espíritos ciganos. Não tem na Umbanda o seu alicerce espiritual, como dissemos; se apresentam também em rituais do tipo mesa branca, Kardecistas e em outros rituais específicos de culto à natureza e todos os seus elementos, por terem herdado de seu povo, o cigano, o amor incondicional à proteção da natureza.
Encontraram na Umbanda um lugar quase ideal para suas práticas por uma necessidade lógica de trabalho e caridade. Na Umbanda passaram a se identificar com os toques dos atabaques, com os pontos cantados em sua homenagem e com algumas das oferendas que são entregues às outras entidades cultuadas pela Umbanda. Encontraram lá, na Umbanda, uma maneira mais rápida de se adaptarem a cultos e é por isso que hoje é onde mais se identificam e se apresentam.
São entidades oriundas de um povo muito rico de histórias e lendas, foram na maioria andarilhos que viveram nos séculos XIII, XIV, XV e XVI. Tem na sua origem o trabalho com a natureza, a subsistência através do que plantavam e o desapego às coisas materiais.
Dentro da Umbanda seus fundamentos são simples, não possuindo assentamentos ou ferramentas para centralização da força espiritual. São cultuados em geral com imagens bem simples, com taças com vinho ou com água, doces finos e frutas solares. Trabalham também com as energias do Oriente, com cristais, incensos, pedras energéticas, com as cores, com os quatro sagrados elementos da natureza e se utilizam exclusivamente de magia branca natural, como banhos e chás elaborados exclusivamente com ervas.
Diferentemente do que pensamos e aprendemos, raramente são incorporadas, preferindo trabalhar encostadas e são entidades que devem ser cultuadas na direita, pois quando há necessidade de realizarem qualquer trabalho na esquerda, são elas que se incumbem de comandar as entidades ciganas que trabalham para este fim, por isso, não precisam de assentamentos. Por isso tudo fica evidenciado que são entidades que trabalham exclusivamente para o bem.
Santa Sarah Kali é sua orientadora para o bom andamento das missões espirituais. Não devemos confundir tal fato com Sincretismos, pois Santa Sarah é tida como orientadora espiritual e não como patrona ou imagem de algum sincretismo.
Ciganos na Umbanda, são espíritos desencarnados homens e mulheres que pertenceram ao povo cigano. Os ciganos em geral, têm seus rituais específicos e cultuam muito a natureza, os astros e ancestrais. A santa protetora do povo cigano é "Santa Sara Kali". Dentro da Umbanda, trabalham para o progresso financeiro e para as causas amorosas. Cheios de simpatias espectrais, os espíritos ciganos trabalham para a cura de doenças espectrais. Os ciganos, dentro da ritualística umbandista, falam a língua "portunhol", alguns, poucos, falam o romanês, língua original dos ciganos. As incorporações acontecem geralmente em linha própria, mas nada impede que eles possam a vir trabalhar na linha de Exú.

  • Exu de Umbanda
Exu de Umbanda são espíritos de diversos níveis de luz que incorporam nos médiuns de umbanda, omoloko, catimbó, batuque, xambá e candomblé de caboclo.
Nos candomblés de Ketu e Jeje não há incorporação de espíritos oficialmente, já nos candomblés de Angola pode-se encontrar casas que adotem a incorporação de Exus, Pombas-Giras, Boiadeiros e Marinheiros.
Exú é um agente mágico universal. Porém, o Exu (Orixá) não incorpora para dar consulta, e Exu de Umbanda são os exus que incorporam para dar consulta.

  • Exu na Umbanda
A Umbanda também cultua Exu, contudo, a prática ritual é bastante diferente do Candomblé. Na Umbanda não se manifesta o próprio Orixá e sim seus mensageiros, espíritos que vem em terra para orientar e ajudar. Quando incorporam, se caracterizam alguns com capas, cartolas, bengalas (masculinos), e saias rodadas, brincos, pulseiras, perfumes, rosas (femininos) também chamados de Pombas-Giras. Mas não necessariamente os médiuns se utilizam destas vestimentas para a incorporação do Exu. Cada terreiro trabalha de uma forma diferente, alguns centros uniformizam a roupa dos médiuns, onde todos vestem branco.

  • Natureza e incorporação de Exus
Encontramos aqueles que crêem que os Exus são entidades (espíritos) cujos só fazem o bem, e outros que crêem que os Exus podem também ser neutros ou maus. Observe-se que, muitas vezes, os médiuns dos terreiros de Umbanda - e mesmo de Candomblé - não têm uma idéia muito clara da natureza da(s) entidade(s), quase sempre, por falta de estudo da religião. Na verdade, essa Entidade não deve ser confundida com o (obsessores), apesar de transitar na mesma Linha das Almas (uma das três linhas independentes) sendo o seu dia a segunda-feira, ficando sob o seu controle e comando os, espíritos atrasadíssimos na evolução e que são orientados pelos Exus para que consigam a evolução através de trabalhos espirituais feitos para o bem.
Sua função mítica é a de mensageiro, o que leva os pedidos e oferendas dos homens aos Orixás, já que o único contato direto entre essas diferentes categorias só acontece no momento da incorporação, quando o corpo do ser humano é tomado pela energia e pela consciência do seu Exu. É ele quem traduz as linguagens humanas para a das divindades. Por isso, é imprescindível a presença dele para a realização de qualquer trabalho, porque é o único que efetivamente assegura em uma dimensão o que está acontecendo na outra, abrindo os caminhos para os Orixás se aproximarem dos locais onde estão sendo cultuados.
O poder de comunicar e ligar confere a ele também o oposto, a possibilidade de desligar e comprometer qualquer comunicação. Se possibilita a construção, também permite a destruição. Esse poder foi traduzido mitologicamente no fato de Exu habitar as encruzilhadas, cemitérios, passagens, os diferentes e vários cruzamentos entre caminhos e rotas, e ser o senhor das porteiras, portas de entradas e saídas.
Há algumas diferenças na maneira de ver Exu no Candomblé e na Umbanda. No primeiro, Exu é como os demais Orixás, uma personalização de fenômenos naturais. O Candomblé considera que as divindades, ou seja, os Orixás incorporam nos médiuns (cavalos ou aparelhos). Na Umbanda, quem incorpora nos médiuns, além dos Caboclos, Pretos Velhos e Crianças, são os Falangeiros de Orixás, representantes deles, e não os próprios.
A Umbanda vê os Exus não como deuses, mas como uma entidade que busca através da caridade a evolução. Em síntese o grande agente mágico de equilíbrio universal. Nos terreiros sérios julgam-no como um dos maiores, se não o maior executor da Lei Kármica, embora, às vezes inconscientemente. Também é o guardião dos trabalhos de magia, onde se opera com forças ou entidades do baixo astral. E também são considerados como "policiais", que agem pela Lei, no submundo do "crime" organizado e principalmente policiando o Médium no seu dia-a-dia. As "equipes" de Exus sempre estão nestas zonas infernais, mas, não vivem nela. Passam a maior parte do tempo nela, mas, não fazem parte dela.
Esses espíritos utilizam-se de energias mais "densas" (materiais). Note-se que essas entidades podem realizar trabalhos benignos, como curas, orientação em todos os setores da vida pessoal dos consulentes e praticar a caridade em geral. A condição de Exu para um espírito é transitória, podendo este, uma vez redimidas suas dívidas perante a Lei Divina seguir no mundo dos espíritos em escalas mais elevadas de evolução (podem passar a pertencer a falanges de Pretos Velhos etc). Essas falanges, e outras, são as divisões ou escala à qual pertencem os espíritos, mais ou menos equivalentes à escala espírita definida por Kardec.
Os trabalhos malignos (os tão famosos "pactos com o diabo"), como matar, por exemplo, não são acordos feitos com os Exus, mas com os Kiumbas que agem na surdina e não estão sob a orientação de algum Exu, fazendo-se passar por um deles, atuando em terreiros que não praticam os fundamentos básicos da Umbanda que são: existência de um Deus único, crença de entidades espirituais em evolução, crença em Orixás e Santos chefiando falanges que formam a hierarquia espiritual, crença em guias mensageiros, na existência da alma, na prática da mediunidade sob forma de desenvolvimento espiritual do médium, e o uso de ervas e frutos. Jamais maldades, e caridade acima de tudo.
Os Exus são confundidos com os Kiumbas, que são espíritos trevosos ou obsessores, são espíritos que se encontram desajustados perante à Lei, provocando os mais variados distúrbios morais e mentais nas pessoas, desde pequenas confusões, até as mais duras e tristes obsessões. São espíritos que se comprazem na prática do mal, apenas por sentirem prazer ou por vinganças, calcadas no ódio doentio. Aguardando, enfim, que a Lei os "recupere" da melhor maneira possível (voluntária ou involuntariamente). Vivem no baixo astral, onde as vibrações energéticas são densas. Este baixo astral é uma enorme egrégora formada pelos maus pensamentos e atitudes dos espíritos encarnados ou desencarnados. Sentimentos baixos, vãs paixões, ódios, rancores, raivas, vinganças, sensualidade desenfreada, vícios de toda estirpe, alimentam esta faixa vibracional e os Kiumbas se comprazem nisso, já que se sentem mais fortalecidos.
O verdadeiro Exu não faz mal a ninguém, mas joga para cima de quem merece quem realmente é mau, recebe o mau de volta através da força dele. Ele devolve, às vezes até com mais intensidade os trabalhos malignos que alguns fizeram contra outros. Alguns Exus foram pessoas como políticos, médicos, advogados, trabalhadores, vadios, prostitutas, pessoas comuns, padres etc., que cometeram alguma falha e escolheram - ou foram escolhidos para - vir nessa forma a fim de redimir seus erros passados; outros são espíritos evoluídos que escolheram ajudar e continuar sua evolução atendendo e orientando as pessoas, e combatendo o mal. Em seus trabalhos de magia, Exu corta demandas, desfaz trabalhos malignos, feitiços e magia negra, feitos por espíritos obscuros, sem luz (Kiumbas). Ajudam a limpar, retirando os espíritos obsessores e os encaminhando para luz ou para que possam cumprir suas penas em outros lugares do astral inferior.
A Doutrina Espírita trata-os como espíritos imperfeitos, almas dos homens que, por terem cometido crimes perante a Lei Divina, são submetidos a difíceis provas, cujo único objetivo é o de que possam compreender a extensão do mal que praticaram em outras vidas.
De um modo geral, pode-se dizer que nos terreiros sérios de Umbanda independentemente da gira ou engira (Lei) que sigam, assim como os Centros Espíritas, manifestam-se os mesmos seres, espíritos ou energias vivas e inteligentes que são a essência de nós mesmos.
Uma verdadeira casa de caridade é sempre reconhecida pela gratuidade dos serviços prestados a quem procura ajuda em um Centro Espírita ou Centro de Umbanda.
Alguns espíritos, que usam indevidamente o nome de Exu, procuram realizar trabalhos de magia dirigida contra os encarnados. Na realidade, quem está agindo é um espírito atrasado. É justamente contra as influências maléficas, o pensamento doentio desses feiticeiros improvisados, que entra em ação o verdadeiro Exu, atraindo os obsessores, cegos ainda, e procurando trazê-los para suas falanges que trabalham visando a própria evolução.
O chamado “Exú Pagão” é tido como o marginal da espiritualidade, aquele sem luz, sem conhecimento da evolução, trabalhando na magia para o mal, embora possa ser despertado para evoluir de condição.
Já o Exu Batizado, é uma alma humana já sensibilizada pelo bem, evoluindo e, trabalhando para o bem, dentro do reino da Quimbanda, por ser força que ainda se ajusta ao meio, nele podendo intervir, como um policial que penetra nos reinos da marginalidade.
Não se deve, entretanto, confundir um verdadeiro Exú com um espíritos zombeteiros, mistificadores, obsessores ou perturbadores, que recebem a denominação de Kiumbas e que, às vezes, tentam mistificar, iludindo os presentes, usando nomes de "Guias".
Para evitar essa confusão, não damos aos chamados “Exus Pagãos” a denominação de “Exu”, classificando-os apenas como Kiumbas. E reservamos para os ditos “Exus Batizados” a denominação de “Exu”.

  • CABOCLOS
A palavra caboclo vem do tupi kareuóka, que significa da cor de cobre; acobreado. Espírito que se apresenta de forma forte, com voz vibrante e traz as forças da natureza e a sabedoria para o uso das ervas.
A marca mais característica da Umbanda, uma religião surgida no Brasil no final do século XIX e início do século XX, é a manifestação de entidades espirituais, por meio da mediunidade de incorporação. Os primeiros espíritos a “baixar” nos terreiros de Umbanda foram aqueles conhecidos como Caboclos e Preto-velhos, a seguir surgiram outras formas de apresentação como as Crianças, conhecidas, variadamente, como Erês, Cosme e Damião, Dois - dois, Candengos, Ibejis ou Yori. Essas três formas, Crianças, Caboclos e Preto-velhos, podem ser consideradas as principais porque resumem vários símbolos: representam, por exemplo, as raças formadoras do povo brasileiro - indígenas, negros e brancos europeus - e também representam as três fases da vida - a criança, o adulto e o velho - mostrando a dialética da existência. Além disso, trazem valores arquetipais de Pureza e Alegria na Criança; Simplicidade e Fortaleza no Caboclo e a Sabedoria e Humildade dos Preto-velhos, mostrando o caminho para a evolução espiritual dos sentimentos, do corpo físico e da mente. Com a expansão da Umbanda, muitas entidades apareceram, como os Baianos, Boiadeiros, Marinheiros e outras, sem falar de Exu, outro grande ícone umbandista.
Essa diversidade confirma a abrangência desse movimento espiritual que chama a todos e recebe seres encarnados e desencarnados, com vibrações de fraternidade e amizade sob a luz de Oxalá.
Nesse artigo trataremos, mais especificamente, das entidades conhecidas como Caboclos, in­variavelmente presentes nos terreiros de Umbanda, praticando a caridade e cumprindo sua missão espiritual.
Existem variações no entendimento que os umbandistas têm sobre o que sejam os caboclos. As variações são próprias do movimento umbandista, notavelmente plural, mas há consenso na Umbanda, no fato de que os Caboclos são espíritos de humanos que já viveram encarnados no plano físico e são, portanto, nossos ancestrais. É interessante notar que em alguns cultos afro-brasileiros, os caboclos são considerados “encantados” e se relacionam com os espíri­tos da natureza, recebendo nomes de animais, plantas ou outros elementos naturais. Essa percepção se aproxima das lendas indígenas que narram um tempo em que os animais falavam e viviam em comunhão com os homens, podendo um se transformar no outro, (veja mais nas obras de Betty Mindlin).
A palavra caboclo vem do tupi kariuóka, que significa da cor de cobre; acobreado. A partir daí vem à relação com os índios brasileiros, de tez avermelhada. Assim, a palavra caboclo passou a designar aquilo que é próprio de bugre, do indígena brasileiro de cor acobreada. Posteriormente surgiu a noção de caboclo como mestiço de branco com índio, o sertanejo. Dada essa relação dos caboclos com os indígenas - nos terreiros de Umbanda é dessa forma que se manifestam -, e aproximando esse fato ao Orixá Oxossi, que em África é cultuado como Odé, o caçador, o Senhor das Florestas, conhecedor dos segredos das matas e dos animais que lá vivem, diz-se que os Caboclos que baixam na Umbanda são espíritos ligados a Oxossi. Muitos entendem que somente esses são caboclos e que as entidades da vibração de Ogum, Xangô, Yemanjá e Oxalá não seriam, propriamente, caboclos. No entanto, há caboclos da praia, do mar e das ondas, das pedreiras, das cachoeiras, dos rios etc., cujos elementos se associam mais aos outros Orixás que a Oxossi.
Outra maneira de se interpretar as entidades de Caboclo, é como espíritos que se apresentam na forma de adultos, com uma postura forte, de voz vibrante, que trazem as forças da natureza, manipulando essas energias para trabalhar nas questões de saúde, vitalidade e no corte de correntes espirituais negativas. Seu linguajar pode se assemelhar ao dos indígenas, paramen­tados ou não com cocares, arcos e flechas, machadinha e espadas. Aqui estamos entendendo os Caboclos de maneira mais ampla, como símbolo de fortaleza, do vigor da fase adulta, existindo caboclos de Oxossi, Xangô, Ogum e mesmo aquelas entidades ligadas aos orixás femininos, como Yemanjá, Oxum, Yansã. É claro que essas últimas entidades não vêm como índias, mas com uma forma tipicamente relacionada aos seus atributos. Todavia, são entidades que se apresentam como adultos.
Feitas essas ressalvas, podemos dizer que todas as entidades de Umbanda, especialmente as Crianças, Caboclos e Preto-Velhos, são espíritos ancestrais que estão ligados, cada um, a um Orixá. Assim, as crianças trazem a vibração dos Orixás Ibeji, conhecidos na Umbanda Esotérica como Yori; os Preto-velhos vêm sob as vibrações dos Orixás Obaluaiê, Nana Burukum ou Yorimá e os Caboclos podem ser de Oxossi, Xangô, Ogum etc. Também é preciso falar que existem os chamados cruzamentos vibratórios em que uma entidade de Ogum, por exemplo, pode trazer também as forças de outro orixá, como Ogum Yara que além das forças de Ogum, movimenta também as forças dos Orixás das águas, como Yemanjá, Oxum etc.
Vejamos alguns exemplos de:
  • Caboclos de Oxossi: Caboclo Sete Flechas, Caboclo Folha Seca Caboclo Pena Vermelha, Cacique das Matas, Caboclo Cobra-coral, Cabocla Jurema, Cabocla Jacyra, Caboclo Ventania, Caboclo Caçador e outros.
  • Na linha de Ogum temos: Ogum de Lê, Ogum Beira-mar, Ogum Matinata, Ogum Sete Ondas, Caboclo Biritan, Ogum Megê, Ogum Sete Espadas e mais uma plêiade de espíritos que vêm sob essa vibração.
  • Entre os caboclos de Xangô temos muitos caboclos famo­sos, como Caboclo das Sete Pedreiras, Caboclo Vira-mundo (que vem como Xangô ou Oxossi), Xangô Kaô, Caboclo Pedra Branca, Caboclo da Pedra Preta etc.
  • Para citar alguns da linha de Oxalá, que dificilmente baixam, temos Caboclo Ubiratan, Caboclo Girassol, Caboclo Ipojucan, Caboclo Guaracy e Caboclo Tupi.
Todas as entidades de Umbanda são importantes. Ainda que alguns se orgulhem de serem médiuns de caboclos renomados e tidos como chefes de falange, o que vemos é que quando estão no terreiro, os Caboclos tratam uns aos outros como iguais, mostrando que o que importa é o trabalho espiritual e, como em uma aldeia, tudo é feito em conjunto e com as ordens dos planos superiores. Assim diz um ponto cantado de caboclos: na sua aldeia ele é caboclo, é Rompe-mato e seu mano Arranca-toco, na sua aldeia lá na jurema, não se faz nada sem ordem suprema.
É também do linguajar de caboclo, que não cai uma folha da jurema (da mata), sem ordem de Oxalá, ou seja, que tudo na vida tem motivo e que nossas ações são registradas na lei de causa-e-efeito, ou lei do karma. Mas isso não significa ficar passivo, esperando o pior acontecer. Os Caboclos também ensinam a termos coragem e a sermos guerreiros na vida, lutando pelo que é justo e bom para todos. No que é possível, os caboclos nos ajudam a entrar na macaia (a mata que simboliza a vida), a cortar os cipós do caminho (vencer as dificuldades) e, se preciso caçar os bichos do mato (vencer as interferências espirituais negativas).
Essa postura é evidenciada em vários pontos, como esse:
Atira, atira, eu atirei,
Eu bamba vou atirar
Bicho no mato é corredor,
Oxossi na mata é caçador.
Cadê Vira-mundo pemba (bis)
Tá no terreiro, pemba,
Com seus caboclos, pemba.
Veado no mato é corredor,
Cadê meu mano caçador
E o Caboclo Ventania
Que me protege noite e dia.

Para quem vivência o terreiro, que há anos luta as batalhas espirituais
e já viu os caboclos vencendo as demandas dos filhos-de-fé, afastando entidades negativas, tratando doenças que a medicina muitas vezes não resolve e dando lições de simplicidade, humildade, coragem e persistência, ouvir ou mesmo lembrar esses pontos cantados. Traz uma sensação de alegria que enche o coração, renova o ânimo e nos dá a certeza de que estamos no caminho certo. Melhor do que qualquer leitura sobre caboclo é vê-lo incorporado atendendo quem precisa.

  • Os Caboclos
O Caboclo na Umbanda é, em sua maioria, o indígena desencarnado que, depois de centenas de anos no plano astral, estacionado perto da crosta terrestre, resolve abraçar o novo movimento religioso de Umbanda.
Benévolo para com as minorias sofridas e abandonadas, este movimento oferece-lhe um espaço de atuação digna, consoante sua cultura, seu modo vivencia e, milagrosamente, segundo a sua índole, possibilidade de voltar às suas origens da vida física: falar, dançar, cantar, pescar, caçar, bradar, espernear, comer, fazer amigos, embora haja uma única limitação – “montar” – num cavalo humano, numa criatura encarnada quase sempre diferente moral e fisicamente dele. Mas... Vá lá! Afinal, fumar, beber, ajudar aos civilizados, adorar os Orixás que se manifestam na natureza, em todos os sentidos, compensa em muito a sua integração; principalmente com os Orixás Oxossi, Ossain e com as almas dos Preto-Velhos, Boiadeiros, Crianças e Exus, com quem se acamarada. Extasiado fica quando falam de Oxalá, um Orixá de ternura e muito amor.
O nosso indígena foi estigmatizado como pessoa indolente, somente porque não se curvou à escravidão imposta pelo colonizador civil e religioso que se apossou da sua terra reduzindo-o a um paria da sociedade.
Hoje, os Caboclos nada tem a ensinar aos “brancos”; apenas mostram o que são: altivos, sinceros, leais, autênticos e decididos, sempre a cooperar. A esperança maior é, um dia (quem sabe?), repousar nas suas redes, no regaço do Cacique Maior, que é o Senhor Tupã, Olorun ou Zambi, Pai de todos os Orixás.
Os Caboclos que se apresentam na Umbanda são nativos – indígenas. Passados esses 500 anos, já se aculturaram no plano astral embora uma minoria se tenha “civilizado”. Grande parte deles ainda fala mal o português e, até em sua maioria, já esqueceram a língua de origem.
Na aceitação da nova religião, os Caboclos – milhares deles – logo se mudam para uma localidade chamada Aruanda e fundam ali aldeias, aceitam até participar com seus pajés e morubixabas do governo da mágica cidade do astral, berço da religião de Umbanda.
Não se pode deixar de esclarecer que grande parte dos Caboclos de Umbanda são também criaturas mestiças (filhos de índios com brancos) que, desencarnadas, seguiram seus ancestrais na onda de relacionamento com o povo brasileiro contemporâneo.
Relação médium-guia: os Caboclos são pródigos em desculpar os erros do próprio “cavalo”, mas ficam ressentidos quando os mesmos não procuram renovar-se moralmente.
Quando aos médiuns, agradam aos amigos astrais usando suas roupas e enfeites preferidos. Tanto os médiuns quanto os fiéis aprendem com essas criaturas rudes, através da exemplificação, o que é ser companheiro, corajoso, leal e, sobretudo, o desapego das coisas materiais.
  • Força da natureza: são naturais cultores da floresta.
  • Expressão: altivos, sinceros, leais, autênticos, cooperativos, corajosos, desprendidos, companheiros.
  • Data comemorativa: de acordo com a vontade do Caboclo-chefe da Tenda. É comum, no entanto, sua participação alegre e festiva nas comemorações da segunda quinzena de janeiro, dedicada aos Orixá Oxossi e também no dia 2 de julho, quando, no Estado da Bahia, acontece o Dia do Caboclo.
  • Composição: estão unidos pela própria descendência, embora formem agrupamentos mesclados de outras tribos, quando em trabalhos especiais no físico e no astral.
  • Hierarquia: são obedientes e colaboram intensamente com o Caboclo, Boiadeiros ou Preto-Velho, Chefe do Templo.
  • Saudação: “Okê Caboclo ! Okê Caboclo ! Okê Caboclo !” .
  • A saudação é executada corporalmente, encostando energeticamente o ombro direito da entidade mo ombro direito do consulente; depois o ombro esquerdo bate também no ombro esquerdo do encarnado. O gesto é um tanto brusco e rígido. Logo depois, a entidades bate vigorosamente no próprio peito (do médium naturalmente), saudando o Caboclo-Chefe do Terreiro, a entidade chefe do Templo, o Orixá Oxossi ou até si mesmo: “Salve o Caboclo Pena Branca, Cobra Coral” ou o nome que tenha. É assim que se dá conhecer aos circunstantes.
  • Pontos cantados: existem mais de 300 pontos cantados.
  • Dividem-se e dois tipos: pontos-de-raiz e pontos elaborados por ogãs compositores. O ponto-de-raiz é trazido pelas próprias entidades que procuram ensinar aos fiéis, que anotam e posteriormente gravam a prece cantada, sempre um misto de advertência, agradecimento, ameaça e recado subliminar. Daí se dizer que esse pontos cantados têm seu lado esotérico; e realmente têm.
  • Pontos riscados: são diversos de acordo com a tribo, falange ou agrupamento.
  • Indumentária: normalmente, usam a roupa branca de Umbanda. Para agradar o Caboclo, o médium pode pintar o rosto e usar cocares, arco e flecha, borduna etc.
  • Local preferido: Matas arredores afastados dos centros urbanos.
  • Cor: variada; predomina o verde.
  • Cor da guia: os caboclos preparam suas próprias guias (colares), feita de sementes, dentes de boi, de cobra e de outros animais.
  • Usam sumo de ervas para um breve amaci nas contas (vinte e quatro horas), defumam com fumaça de seus charutos e depois entregam ao “cavalo”, para que ele use nas giras das almas. Também usam correntes de aço e até cascas de árvores. Manuseiam as contas assiduamente (para magnetização) e as exibem orgulhosas pelo valor que as mesmas possuem na defesa contra maus fluidos e conseqüente proteção de seu protegido.
  • Ervas utilizadas: desde 1908, as plantas sempre foram empregadas mediunicamente pelos Caboclos e Pretos-Velhos para a cura de várias doenças. Nos dias de hoje , a fitoterapia possui o reconhecimento da medicina acadêmica como sendo de grande valor na flora brasileira. Aconselhamos a leitura de livros especializados no assunto.
  • Flores: Caboclos e Caboclas preferem as que estão plantadas. Quanto às folhas, gosta,m imensamente de vê-las espalhadas pelo chão do Terreiro em datas festivas.
  • Frutos: de preferência de cada entidade.
  • Mineral: Nenhum em especial
  • Planeta: O sol, a lua e as estrelas.
  • Dia da semana: nenhum em especial.
  • Comidas secas: abóbora tipo moranga, coco inteiro ou em pedaços, milho verde e vários frutos, sempre untados em mel.
  • Bebidas: vinho moscatel, garapa, aluá e água.
  • Os Caboclos – onde se incluem os Boiadeiros, Caboclos e Caboclas, representam a força, a coragem, portanto apresentam a forma do adulto, do herói, do guerreiro, do índio ou soldado.

Caboclo (umbanda)

Os Caboclos, na Umbanda, são entidades que se apresentam como indígenas e incorporam na Umbanda de Caboclo. As entidades denominadas de Caboclos , que apresentam-se nos terreiros de Umbanda e são espíritos com um grau espiritual muito elevado. Existem diversas linhas de atuação que um caboclo pode apresentar-se diante seu médium. Quando digo linha, refiro-me as essências da hierarquia de DEUS, os Sagrados Orixás. Se muito evoluídos diante os ditames de DEUS, em sua prática efetiva da benevolência Divina, podem, inclusive, atuar sob a outorga de mais de um Orixá Essencial, ou seja, apresentando-se como um Caboclo de Oxossi, Ogum e Xangô ao mesmo tempo, atuante nas três vibrações, ou mais.
Na Umbanda verdadeira, a linha de Caboclo e a linha de Preto Velho são as únicas fundamentalmente capacitadas, diante seu grau de evolução, a apresentar-se como mentores de um médium, ou seja, são as únicas entidades que podem responder diretamente ao(Orixá de Cabeça) de um médium, sem desequilibrar a vida disciplinar do médium, própriamente dito.
O que um Caboclo acessa, um Exú, mesmo Exú de Lei, não acessa, devido seu grau de ascensão espiritual.
Como em todas as linhas de Umbanda, os caboclos são hierarquicamente organizados, existindo chefes de falange e subordinados. Os caboclos são muito espertos e rápidos quando o assunto é doença e para a cura com ervas conhecem muitos tipos de ervas e para que elas sirvam como devem ser usadas e é uma gira que traz muita bondade, paz, tranqüilidade e principalmente amor.
Alguns nomes de caboclos que se apresentam na Umbanda, em linhas respectivas:

  • Oxóssi
Cabocla Jacira
Cabocla Jupira
Cabocla Jurema
Cabocla Jussara
Caboclo Aguia Branca
Caboclo Araribóia
Caboclo Arranca Toco
Caboclo Arruda
Caboclo Aymoré
Caboclo Cipó
Caboclo Cobra Coral
Caboclo das Sete Encruzilhadas
Caboclo Flecha Dourada
Caboclo Gira Mundo
Caboclo Gira Mundo
Caboclo Grajaúna
Caboclo Jibóia
Caboclo Lírio Branco, Verde ou Azul
Caboclo Mata Virgem
Caboclo Névoa Negra
Caboclo Pena Branca, Verde, vermelha, dourada, etc.
Caboclo Rompe Mato
Caboclo Roxo
Caboclo Samambaia
Caboclo Sete Estrelas
Caboclo Sete Flexas
Caboclo Sultão das Matas
Caboclo Tira Teima
Caboclo Treme Terra
Caboclo Tupi
Caboclo Tupinambá
Caboclo Ubirajara
Caboclo Urubatão
Caboclo Ventania

  • Ogum
Caboclo Ogum Beira Mar
Caboclo Ogum Beira Rio
Caboclo Ogum das Matas
Caboclo Ogum de Lei
Caboclo Ogum de Ronda
Caboclo Ogum Iara
Caboclo Ogum Lua
Caboclo Ogum Matinata
Caboclo Ogum Megê
Caboclo Ogum Pantera Negra
Caboclo Ogum Rompe-Mato
Caboclo Ogum Sete Espadas
Caboclo Ogum Sete Ondas

  • Xangô
Caboclo Pedra Preta, branca, roxa, etc
Caboclo Pedra Roxa
Caboclo Sete Cachoeiras
Caboclo Sete Montanhas
Caboclo Sete Pedreiras

  • PRETO-VELHOS

As grandes metrópoles do período colonial: Portugal, Espanha, Inglaterra, França, etc.; subjugaram nações africanas, fazendo dos negros mercadorias, objetos sem direitos ou alma.
Os negros africanos foram levados a diversas colônias espalhadas principalmente nas Américas e em plantações no Sul de Portugal e em serviços de casa na Inglaterra e França. Os traficantes coloniais utilizavam-se de diversas técnicas para poder arrematar os negros: Chegavam de assalto e prendiam os mais jovens e mais fortes da tribo, que viviam principalmente no litoral Oeste, no Centro-oeste, Nordeste e Sul da África. Trocavam por mercadoria: espelhos, facas, bebidas, etc., os cativos de uma tribo que fora vencida em guerras tribais ou corrompiam os chefes da tribo e financiavam as guerras e faziam dos vencidos escravos.
No Brasil os escravos negros chegavam por Recife e Salvador, nos séculos XVI e XVII, e no Rio de Janeiro, no século XVIII. Os primeiros grupos que vieram para essas regiões foram os bantos; cabindos; geges; sudaneses; iorubas; hauçá; minas e malês.
A valorização do tráfico negreiro, fonte da riqueza colonial custou muito caro: “Em quatro séculos, XV ao XIX, a África perdeu, entre escravizados e mortos 65 a 75 milhões de pessoas, e estas constituiam uma parte selecionada da população”. Arrancados de sua terra de origem, uma vida amarga e penosa esperava esses homens e mulheres na colônia: trabalho de sol a sol nas grandes fazendas de açúcar. Tanto esforço, que um africano aqui chegado durava, em média, de sete a dez anos! Em troca de seu trabalho os negros recebiam três "pês": pau, pano e pão. E reagiam a tantos tormentos suicidando-se, evitando a reprodução, assassinando feitores, capitães–do-mato e proprietários. Em seus cultos, os escravos resistiam, simbolicamente, à dominação.
A "macumba" era, e ainda é um ritual de liberdade, protesto, reação à opressão. As rezas, batucadas, danças e cantos eram maneiras de aliviar a asfixia da escravidão. A resistência também acontecia na fuga das fazendas e na formação dos quilombos, onde os negros tentaram reconstituir sua vida africana. Um dos maiores quilombos foi o Quilombo dos Palmares onde reinou Ganga Zumba ao lado de seu guerreiro Zumbi, protegido de Ogum.
"Zumbi, comandante guerreiro...
Guerreiro mor, capitão.
Da capitania da minha cabeça...
Levai alforria ao meu coração..."
(Gilberto Gil)
Os negros que se adaptavam mais facilmente à nova situação recebiam tarefas mais especializadas, reprodutores, caldeireiro, carpinteiros, tocheiros, trabalhador na casa grande (escravos domésticos) e outros, ganharam alforria pelos seus senhores ou pelas leis do Sexagenário, Ventre livre e enfim a Lei Áurea. Estes negros aos poucos conseguiram envelhecer e constituir mesmo de maneira precária uma união representativa da língua, culto aos Orixás e aos antepassados e tornaram-se um elemento de referência para os mais novos, refletindo os velhos costumes da Mãe África. Eles conseguiram preservar e até modificar, no sincretismo, sua cultura e sua religião.

§ ATUAÇÃO

Eles representam a força, a resignação, a sabedoria, o amor e a caridade. São um ponto de referência para todos aqueles que necessitam: curam, ensinam, educam pessoas e espíritos sem luz. Eles representam a humildade, não têm raiva ou ódio pelas humilhações, atrocidades e torturas a que foram submetidos no passado. Com seus cachimbos, fala pousada, tranqüilidade nos gestos, eles escutam e ajudam àqueles que necessitam independentes de sua cor, idade, sexo e de religião. Não se pode dizer que em sua totalidade que esses espíritos são diretamente os mesmos preto-velhos da escravidão. Pois, no processo cíclico da reencarnação passaram por muitas vidas anteriores foram: negros escravos, filósofos, médicos, ricos, pobres, iluminados, e outros. Mas, para ajudar aqueles que necessitam escolheram ou foram escolhidos para voltar a terra em forma incorporada de preto-velho. Outros, nem preto-velhos foram, mas escolheram como missão voltar nessa pseudo forma. O espírito que evoluiu tem a capacidade de se por como qualquer forma passada, pois ele é energia viva e conduzente de luz, a forma é apenas uma conseqüência do que eles tenham que fazer na terra. Esses espíritos podem se apresentar, por exemplo, em lugares como um médico e em outros como um preto-velho ou até mesmo um caboclo ou exu. Tudo isso vai de acordo com o seu trabalho, sua missão. Não é uma forma de enganar ou má fé com relação àqueles que acreditam, muito pelo contrário, quando se conversa sinceramente, eles mesmos nos dizem quem são, caso tenham autorização. Por isso, se você for falar com um preto-velho, tenha humildade e saiba escutar, não queira milagres ou que ele resolva seus problemas, como em um passe de mágica, entenda que qualquer solução tem o princípio dentro de você mesmo, tenha fé, acredite em você, tenha amor a Deus e a você mesmo. Para muitos os preto-velhos são conselheiros mostrando a vida e seus caminhos; para outros, são psicólogos, amigos, confidentes, mentores espirituais; para outros, são os exorcistas que lutam com suas mirongas, banhos de ervas, pontos de fogo, pontos riscados e outros, apoiados pelos exus de lei: (exus de luz) desfazendo trabalhos e contra as forças negativas (o mal), espíritos obscessores e contra os exus pagãos (sem luz que trabalham na corrente negativa que levam os homens para o lado negativo e para a destruição). Preto-velho na Umbanda, são espíritos de velhos africanos que viveram nas senzalas, majoritariamente como escravos que morreram no tronco ou de velhice, e que adoram contar as histórias do tempo do cativeiro. Sábios, ternos e pacientes dão o amor, a fé e a esperança aos "seus filhos". São entidades desencarnadas que tiveram pela sua idade avançada, o poder e o segredo de viver longamente através da sua sabedoria, apesar da rudeza do cativeiro demonstram fé para suportar as amarguras da vida, consequentemente são espíritos guias de elevada sabedoria, trazendo esperança e quietude aos anseios da consulência que os procuram para amenizar suas dores, ligados a vibração de Omulu, são mandingueiros poderosos, com seu olhar prescutador sentado em seu banquinho, fumando seu cachimbo, benzendo com seu ramo de arruda, rezando com seu terço e aspergindo sua água fluidificada, demandam contra o baixo astral e suas baforadas são para limpeza e harmonização das vibrações de seus médiuns e de consulentes.Muitas vezes se utilizam de outros benzimentos, como os utilizados pelo Pai José de Angola, que se utiliza de um preparado de "guiné" (pedaços de caule em infusão com cachaça) que coloca nas mãos dos consulentes e solicita que os mesmos passem na testa e nuca, enquanto fazem os seus pedidos mentalmente; utiliza-se também de vinho moscatel, com o que constantemente brinda com seus "filhos" em nome da vitória que está por vir. São os Mestres da sabedoria e da humildade. Através de suas várias experiências, em inúmeras vidas, entenderam que somente o Amor constrói e une a todos, que a matéria nos permite existir e vivenciar fatos e sensações, mas que a mesma não existe por si só, nós é que a criamos para estas experiências, e que a realidade é o espírito. Com humildade, apesar de imensa sabedoria, nos auxiliam nesta busca, com conselhos e vibrações de amor incondicional. Também são Mestres dos elementos da natureza, as quais utilizam em seus benzimentos. Os Pretos Velhos são os espíritos da humildade, sabedoria e paciência.
Os Pretos Velhos são entidades cultuadas pelas religiões afro-brasileiras, em especial a Umbanda. Nos trabalhos espirituais desta religião, os médiuns incorporam entidades que possuem níveis de evolução e arquétipos próprios. Os Pretos Velhos – incluem os Tios e Tias, Pais e Mães, Avôs e Avós todos com a forma do idoso, do senhor de idade, do escravo. Sua forma idosa representa à sabedoria, o conhecimento, a fé. A sua característica de ex-escravo passam à simplicidade, a humildade, a benevolência e a crença no “poder maior”, no Divino. A grande maioria dos terreiros de Umbanda, assim também suas entidades possuem a fé Cristã, ou seja, acreditam e cultuam Jesus (Oxalá). Entidades aqui tomadas no sentido de espíritos que auxiliam aos encarnados, o mesmo que guia de luz. A característica desta linha seria o conselho, a orientação aos consulentes devido a elevação espiritual de tais entidades, é como psicólogos, receitam auxílios, remédios e tratamentos caseiros para os males do corpo e da alma. Os Pretos Velhos seriam as entidades mais conhecidas nacionalmente, mesmo por leigos que só ouviram falar destas religiões Afro-Brasileiras. O Preto Velho é lembrado também pelo instrumento que normalmente utiliza – o cachimbo. Os nomes de alguns Pretos Velhos comuns de que se tem notícia é Pai João, Pai Joaquim de angola, Pai José de Angola, Pai Francisco, Vovó Maria conga, Vovó Catarina. Pai Jacó, Pai Benedito, Pai Anastácio, Pai Jorge, Pai Luis, Mãe Maria, Mãe Cambina, Mãe Sete Serras, Mãe Cristina, Mãe Mariana, Maria Conga, Vovó Rita e etc.
Na Umbanda os Pretos Velhos são homenageados no dia 13 de maio, data que foi assinada a Lei Áurea, a abolição da escravatura. Os pontos servem para saudar a presença das entidades, diferentemente do que geralmente se pensa, não foram feitos para chamar, mas sim para agradecer a presença, como um "Olá". A linha de Preto Velho, na Umbanda, são entidades que se apresentam estereotipados como anciãos negros conhecedores profundos da magia Divina e manipulação de ervas, os quais aplicam frequentemente em sua atuação na Umbanda, porém no Candomblé são considerados Eguns. Crê-se que em referência à dor e aflição sofrida pelo povo negro a linha de preto velho reflete a humildade, a paciência e a perseverança característica da atuação da linha nomeada de Yorima. Cujo se apresenta de pés no chão, cachimbo de barro bem rústico, quando não cigarro de palha, café, e um fio de contas de rosários (Lágrima de Nossa Senhora) figas e cruzes, cujo utilizam em sua atuação astral. Os pretos velhos apresentam-se com nomes e individualizam sua atuação, conforme nação ou orixá regente, evidenciando sua atuação propriamente dita.

Os nomes comumente usados são:

Pai Joaquim;
Pai Francisco;
Pai Maneco;
Pai João;
Pai José;
Pai Mané;
Pai Antônio;
Pai Cipriano;
Pai Tomaz;
Pai Jobim;
Pai Roberto;
Pai Guiné;
Pai Jacó;
Pai Benedito;
Velho Liberato etc.

Ou femininos:

Vó Cambinda;
Vó Cecília;
Vó Maria Conga;
Vó Catarina;
Vó Ana;
Vó Quitéria;
Vó Benedita;
Vó Cambinda ...

Em sua linha de atuação eles apresentam-se pelos seguintes codinomes, conforme acontecia na época da escravidão, onde os negros eram nomeados de acordo com a região de onde vieram: Congo Ex: (Pai Francisco do Congo), refere-se a pretos velhos ativos na linha de Iansã; Aruanda Ex: (Pai Francisco de Aruanda), refere-se a pretos velhos ativos na linha de Oxalá. (OBS: Aruanda quer dizer céu); D´Angola Ex: (Pai Francisco D´Angola), refere-se a pretos velhos ativos na linha de Ogum; Matas Ex: (Pai Francisco das Matas), refere-se a pretos velhos ativos na linha de Oxossi; Calunga, Cemitério ou das Almas Ex: (Pai Francisco da Calunga, Pai Francisco do Cemitério ou Pai Francisco das Almas), refere-se a pretos velhos ativos na linha de Omulu/ Obaluaye;
Entre diversas outras nominações tais como: Guiné, Moçambique, da Serra, da Bahia, etc. Muitos Pretos Velhos podem apresentar-se como Tio, Tia, Pai, Mãe, Vó ou Vô, porém todos são Pretos Velhos.
Na gira eles só comem o que for feito de milho como, por exemplo: Bolo de milho, pamonha, cural e etc.

§ MENSAGEM

Os preto-velhos levam a força de Deus (Zambi) a todos que queiram aprender e encontrar uma fé. Sem ver a quem, sem julgar, ou colocando pecados. Mostrando que o amor a Deus, o respeito ao próximo e a si mesmo, o amor próprio, a força de vontade e o encarar o ciclo da reencarnação podem aliviar os sofrimentos do karma e elevar o espírito para a luz divina. Fazendo com que as pessoas entendam e encarem seus problemas e procurem suas soluções da melhor maneira possível dentro da lei do karma e da causa e efeito.
Eles aliviam o fardo espiritual de cada pessoa fazendo com que ela se fortaleça espiritualmente. Se a pessoa se fortalece e cresce consegue carregar mais comodamente o peso de seus sofrimentos. Ao passo que se ela se entrega ao sofrimento e ao desespero enfraquece e sucumbe por terra pelo peso que carrega. Então cada um pode fazer com que seu sofrimento diminua ou aumente de acordo com encare seu destino e os acontecimentos de sua vida: "Cada um colherá aquilo que plantou. Se tu plantaste vento colherás tempestade. Mas, se tu entenderes que com luta o sofrimento podeis tornar-se alegria vereis que deveis tomar consciência do que foste teu passado aprendendo com teus erros e visando o crescimento e a felicidade do futuro. Não sejais egoísta, aquilo que te fores ensinado passai aos outros e aquilo que recebeste de graça, de graça tu darás. Porque só no amor, na caridade e na fé é que tu podeis encontrar o teu caminho interior, a luz e DEUS" (Pai Cipriano, incorporado no médium Etiene Sales, em setembro de 1997).
Salve todos os PRETO-VELHOS, que DEUS os ilumine e os abençoem. A todos os PRETO-VELHOS que trabalham nesse mundo e no outro com muito amor.
OBRIGADO!

Pontos de preto velhos:

SAUDAÇÃO DOS PRETOS VELHOS QUANDO INICIADA UMA GIRA

Bate tambor lá na Angola, bate tambor Bate tambor lá na Angola, bate tambor... Bate tambor, Pai Joaquim*... Bate tambor, Maria Conga*... Bate tambor, Pai Mané*...
(* coloca-se o nome dos pretos velhos da casa)

Eu andava perambulando, sem ter nada p'ra comer.
Fui pedir as Santas Almas Para vir me socorrer
Foi as Almas que me ajudou
Foi as almas que me ajudou
Meu Divino Espírito Santo
Glória Deus, Nosso Senhor.

Nessa casa tem quatro cantos
Cada canto tem um santo
Pai e filho, Espírito Santo
Nessa casa tem 4 cantos...


Quem vem que vem lá de tão longe?
São os pretos velhos que vem trabalhar
Quem vem que vem lá de tão longe?
São os pretos velhos que vem trabalhar
Ô dá forças pelo amor de Deus, meu pai, Ô dá forças pros trabalhos teus.

Zum zum zum
Olha só Jesus quem é
Eu rezo para santas almas
Inimigo cai
Eu fico de pé


O preto por ser preto
Não merece ingratidão
O preto fica branco
Na outra encarnação

No tempo da escravidão
Como o senhor me batia
Eu chamava por Nossa Senhora, Meu Deus!
Como as pancadas doíam

Tira o cipó do caminho, oi criança
Deixa a vovó atravessar
Tira o cipó do caminho, oi criança
Deixa a vovó atravessar

A bença Vovô Quando precisar lhe chamo
A bença Vovô Quando precisar lhe chamo
Zambi lhe trouxe, Zambi vai lhe levar

Agradeço a toalha de renda de chita de pai Oxalá
Vovô já vai, já vai pra Aruanda...
Abença meu pai, proteção pra nossa banda.

Negro está molhado de suor, mas tá feliz porque Deus o libertou (bis);
Ô sinhá sinhá, segura a chibata não deixa bater,
Faz uma prece pra negro morrer, negro não quer mais sofrer (bis);
Viva Deus, viva a Gloria, viva o rosário de nossa Senhora(bis);

Pai João d"angola com sua ternura,
sentado no tronco ele benze as criaturas(bis),
a estrela de Oxalá seu ponto iluminou,
ele é Pai João d"angola ele é nosso protetor;

Já vai pretos velhos subindo pro ceu e nossa senhora cubrindo com véu(bis).

Vovô Vim lhe pedir um favor, oh oh
Vovô Vim lhe pedir um favor
Olhe por seus filhos,Dê saude e amor
Olhe por seus filhos,Dê saude e amor

Quando o galo canta Raiou um dia
As Almas pedem uma Ave Maria
Quando o galo canta Raiou um dia
As Almas pedem uma Ave Maria
Ave Maria cheia de graça
O Senhor está convosco
Bendita sois vós
Entre as mulheres
bendito e seus fruto
Do vosso ventre nasceu Jesus

Maria Conga
É quem vence demanda
Maria Conga
É quem vence demanda
Ô na sua terreira ela diz que tem mironga
Ô na sua terreira ela diz que tem mironga
Maria Congâ é lavadeira de sinha
Maria Congâ é lavadeira de sinha
Lava roupa de chita do terreiro de iaia
Lava roupa de chita do terreiro de iaia

Velho passou na ponte
A ponte tremeu
E debaixo da ponte
As Almas gemeu
Velho passou na ponte
A ponte tremeu
E debaixo da ponte
As Almas gemeu 

Ô me valhei me as Almas
As Almas de São Cipriano
Ô me valhei me as Almas
As Almas de São Cipriano
Ô me valhei me as Almas
As Almas de São Cipriano
Ô me valhei me as Almas
As Almas de São Cipriano

Adeus, Adeus Vovó
A Vovó vai embora pra sua banda, adeus
Adeus, Adeus Vovó
A Vovó vai embora pra sua banda
Vai pedir a Deus Vovó das Almas
Proteção pros seus filhos que choram lágrima
Vai pedir a Deus Vovó das Almas
Proteção pros seus filhos que choram lágrimas

O mar é lindo
Mas o céu também é
O mar é lindo
Mas o céu também é
Preto-Velho vai embora
Vai beira mar
Vai levando as mirongas
Lá pro fundo do mar
Preto-Velho vai embora
Vai beira mar
Vai levando as mirongas
Lá pro fundo do mar

2 comentários:

  1. Olá boa noite, gostaria de saber se existe a pomba gira estrela do amor?

    obrigada

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  2. Olá Priscila, boa noite! Conheço uma cigana encantada com este nome, e ela pertence a tribo kalon.

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