terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Minha Yá Yemanja


Yemanjá
YEMANJÁ = Ye + omo + eja = mãe dos filhos peixes, ou, Yèyé omo ejá (Mãe cujos filhos são peixes). O cristal representa seu poder genitor e sua interioridade (filhos contidos em si mesma). Representa a gestação e a procriação. Em alguns mitos considera-se mulher de Òrányàn (descendente de Oduá e fundador de Oyó) de quem ela concebeu Sàngó (Ancestre dicino da dinastia dos Àlàfin de Òyó).
A mãe dos orixás, esposa de Òrìnsànlá. No Brasil é a deusa do mar, da água salgada, enquanto na Nigéria, a deusa de um rio, e orixá dos Egbá, onde existe o rio Yemoja. Também a deusa do encontro das águas do rio e do mar. A mais antiga é Iyá Sagba, que quer dizer, A Mãe que passeia sobre as ondas.
Suas cores são o azul claro, branco e azul e o cristal, sua saudação, Odoyiá = Mãe do rio. Sábado é o seu dia consagrado, juntamente com outras divindades femininas. Seu dia consagrado é 2 de fevereiro.
Segundo algumas fontes; Orixá dos rios e correntes, especialmente do Rio Ogun, na África seria folha de Obatalá e Oduduwá, casada com Oranyian, fundador mítico de Oyó, teria sido esposa de Aganjú, e com ele teve um filho Orùngan, que a violou e dela são descendentes outros quinze orixás: Dadá, Sangó, Ògún, Olokun, Olosá, Oyá, Òsun, Obá, Oko, Oke, Saponan; Òrun (sol) e Osupá (lua); Ososo e Aje Saluga (orixá da riqueza). Seus diversos nomes são relativos aos diferentes lugares profundos (ibù) do rio.

Qualidades
  1. Yemanjá Ogunte (esposa de Ogum Alagbedé)
  2. Yemanjá Saba (fiadeira de algodão foi esposa de Orunmilá).
  3. Yemanjá Sesu/Susure (voluntariosa e respeitável mensageira de olokun).
  4. Yemanjá Tuman/Aynu/Iewa
  5. Yemanjá Ataramogba/Iyáku (vive na espuma da ressaca da maré)
  6. Iya Masemale/Iamasse (mãe de Xangô)
  7. Awoyó/Iemowo (a mais velha de todas, esposa de Oxalá).

Arquétipos
São pessoas imprevisíveis como as ondas, ciumentas, esposas e mãe zelosas, perdoam, mas não esquecem, são muito desconfiadas, fazem as coisas e tiram o corpo fora, se perdoam não esquecem aparentemente calmas, dão para os negócios, se forem magras fogem do conceito, e se tornam perigosas, exigentes, não respeitam as posições assumidas.
São voluntariosos, fortes, rigorosos, protetores, altivos e algumas vezes, impetuosos e arrogantes. Têm sentido de hierarquia, fazem-se respeitar, são justos e formais. Põem à prova as amizades que lhe são devotadas, custam muito a perdoar uma ofensa e, se perdoam, não esquecem jamais. Preocupam-se com os outros, são maternais e sérios. Se possuírem a vaidade de Oxum, gostam do luxo, das fazendas azuis e vistosas, das jóias caras. Tem tendência a vida suntuosa, mesmo se as possibilidades não lhes permitam tal falso.

Ervas


Teté = Bredo sem espinhos
Orim-rim = Alfavaquinha
Odum-dum = Folha da costa
Efim = Malva branca
Omin-ojú = Golfo branco
Jacomijé = Jarrinha
Ibin = Folha de bicho
Já = Capeba
Obaya = Beti-cheiroso
Ìróko = Folha de loko
Tinin = Folha de neve branca, cana-do-brejo.
Ereximominpala = Golfo de baronesa
Teterégún = Canela de macaco
Monam = Parietária
Jamim = Cajá
Obô = Rama de leite


  • Considerada deusa dos mares e oceanos. É a mãe de todos os orixás e representada com seios volumosos, simbolizando a maternidade e a fecundidade.
  • Elemento: água
  • Personalidade: maternal e tranqüila
  • Símbolo: leque e espada
  • Dia da semana: sábado
  • Colar: transparente, verde ou azul claro
  • Roupa: branco e azul
  • Sacrifício: porco, cabra e galinha
  • Oferendas: peixes do mar, arroz, milho, camarão com coco

Oferenda Manjar para Yemanjá
Ingredientes: 250g. de creme de arroz
1 pescada inteira
azeite de oliva
Modo de preparo:
Faça um mingau com o creme de arroz e água e uma pitada de sal. Limpe a pescada e asse-a na oliva. Coloque o mingau numa travessa de louça deixe esfriar e coloque a pescada assada sobre o manjar, regue com oliva.

Yemonjá na África
Iemanjá, cujo nome deriva de Yèyé omo ęjá (“Mãe cujos filhos são peixe”), é o orixá dos gbá, uma nação iorubá estabelecida outrora na região entre Ifé e Ibadan, onde existe ainda o rio Yemonjá.
As guerras entre nações iorubas levaram os gbá a emigrar na direção oeste, para Abeokutá, no início do século XIX.
Evidentemente, não lhes foi possível levar o rio, mas, em contrapartida, transportaram consigo os objetos sagrados, suportes do à__ da divindade, e o rio Ògùn, que atravessa a região, tornou-se, a partir de então, a nova morada de iemanjá.
Este rio Ògùn não deve, entretanto, ser confundido com Ògún, o deus do ferro e dos ferreiros, contrariamente à opinião de numerosos autores que escreveram sobre o assunto no fim do século passado.
Não nos deteremos nas extravagantes hipóteses do Padre Baudin, retomadas com entusiasmo pelo Tenente-Coronel Ellis e outros autores.
Daremos, porém, em notas um resumo destes textos. O principal templo de Iemanjá está localizado em Ibará, um bairro de Abeokutá.
Os fiéis desta divindade vão todos os anos buscar a água sagrada para lavar os axés, não no rio Ògùn, mas numa fonte de um dos seus afluentes, o rio Lakaxa. Esta água é recolhida em jarras, transportada numa procissão seguida por pessoas que carregam esculturas de madeira (ère) e um conjunto de tambores.
O cortejo na volta vai saudar as pessoas importantes do bairro, começando por Olúbàrà, o rei de Ibará. Iemanjá seria a filha de Olóòkun, deus (em Benim) ou deusa (em Ifé) do mar.
Numa história de Ifá, ela aparece casada pela primeira vez com Orunmilá, senhor das adivinhações, depois com Alafin, rei, com o qual teve dez filhos, cujos nomes enigmáticos parecem corresponder a outros orixás.
Dois deles são facilmente identificados: Òxùmàrè-ègò-béjirìn-f_nná-diwó (O arco-íris-que-se-desloca-com-a-chuva-e-guarda-o-fogo-nos-seus-punhos) e Arìrà-gàgàgà-tí-í-béjirìn-túmò-eji (“O trovão-que-se-desloca-com-a-chuva-e-revela-seus-segredos”).
Essas denominações representam, respectivamente, Oxumaré e Xangô. Iemanjá, cansada de sua permanência em Ifé, foge mais tarde em direção ao Oeste. Outrora, Olóòkun lhe havia dado, por medida de precaução, uma garrafa contendo um preparado, pois não se sabe jamais o que pode acontecer amanhã, com a recomendação, pois não se sabe jamais o que pode acontecer amanhã, com a recomendação de quebrá-la no chão em caso de extremo. E assim, Iemanjá foi instalar-se no”Entardecer-da-Terra” , o Oeste. Olofin-Odùduà, rei de Ifé, lançou seu exército à procura da sua mulher.
Cercada, Iemanjá, em vez de se deixar prender e ser conduzida de volta a Ifé, quebrou a garrafa, segundo as instruções recebidas.
Um rio criou-se na mesma hora, levando-a para Òkun, o oceano, lugar de residência de Olóòkun (Olokum). Iemanjá tem diversos nomes, relativos, como no caso de Oxum, aos diferentes lugares profundos (ibù) do rio.
Ela é representada nas imagens com o aspecto de uma matrona, de seios volumosos, símbolo de maternidade fecunda e nutritiva. Esta particularidade de possuir seios mais majestosos – ou somente um deles, segundo outra lenda – foi origem de desentendimentos com seu marido, embora ela já o houvesse honestamente prevenido antes do casamento que não toleraria a mínima alusão desagradável ou irônica a esse respeito. Tudo ia muito bem e o casal feliz. Uma noite, porém, o marido havia se embriagado com vinho de palma e, não mais podendo controlar as suas palavras, fez comentários sobre seu seio volumosos. Tomada de cólera, Iemanjá bateu com o pé no chão e transformou-se num rio a fim de voltar para Olóòkun, como na lenda precedente. Iemanjá recebe sacrifícios de carneiros e oferendas de pratos preparados à base de milho.
As saudações a Iemanjá são bastante interessantes, pois fazem referências às suas características físicas e morais:
    • Rainha das águas que vem da casa de Olokum.
    • Ela usa, no mercado, um vestido de contas.
    • Ela espera orgulhosamente sentada, diante do rei.
    • Rainha que vive nas profundezas das águas.
    • Ela anda a volta da cidade.
    • Insatisfeita, derruba as pontes.
    • Ela é proprietária de um fuzil de cobre.
    • Nossa mãe de seios chorosos.

Iemanjá no Novo Mundo
Iemanjá é uma divindade muito popular no Brasil e em Cuba. Seu axé é assentado sobre pedras marinhas e conchas, guardadas numa porcelana azul. O sábado é o dia da semana que lhe é consagrado, juntamente com outras divindades femininas. Seus adeptos usam colares de contas de vidro transparentes e vestem-se, de preferência, de azul-claro. Fazem-lhe oferendas de carneiro, pato e pratos preparados à base de milho branco, azeite, sal e cebola.
Na dança, suas iaôs imitam o movimento das ondas, flexionando o corpo e executando curiosos movimentos com as mãos, levados alternadamente à testa e à nuca, cujo simbolismo não chegamos a identificar.
Manifestada em suas iaôs, Iemanjá segura um abano de metal branco e é saudade com gritos de “Odò Ìyá!!!” (“Mãe do rio”).
  • Iyemonja Ogunte = orixá se apresenta jovem e guerreira.
  • Iyemonja Yasessu = assume a maternidade de Sàngó é ranzinza e respeitável.
  • Iyemonja Saba = uma das formas da mãe.
  • Iyemonja Maleleo = não se obteve noticias desse aspecto no Brasil.
  • Iyemonja konla = seu mito conta que ela afoga os pescadores.
  • Iyemonja Ataramaba = Nessa forma ela está no colo de sua mãe olokun.
  • Iyemonja Ogunde = aspecto da orixá cultuado no Nagô em Pernambuco.
  • Iyemonja Iyá Ori = nessa forma ela assume todas as cabeças mortais.
  • Iyamasse = forma de quando ela é definitivamente mãe de Sàngó.
  • Iyemonja Araseyn = fuxico com Ossayn.
Diz-se na Bahia que há sete Iemanjás:
  1. Iemowô, que na África é a mulher de Oxalá;
  2. Iamassê, mãe de Xangô;
  3. Eua (Yewa), rio que na áfrica corre paralelo ao rio Ògùn e que freqüentemente é confundido com Iemanjá em certas lendas;
  4. Olossá, a lagoa africana na qual deságuam os rios.
  5. Iemanjá Ogonté, casa com Ogum Alagbedé.
  6. Iemanjá Assabá, ela manca e está sempre fiando algodão.
  7. Iemanjá Assessu, muito voluntariosa e respeitável.
Em Cuba, Lydia Cabrera dá sete nomes igualmente, especificando bem que apenas uma Iemanjá existe à qual se chega por sete caminhos. Seu nome indica o lugar onde ela se encontra. “De Olokum nasceram”: Yemaya Awoyó, a maior e a mais velha de todas. É aquela que usa os trajes mais ricos e se protege com sete anáguas para fazer a guerra e defender seus filhos. Ela vive distante no mar e repousa na lagoa; come carneiro e, quando sai a passeio, usa as jóias de Olokum e coroa-se com Oxumaré, o arco-íris. Yemaya Ogunte é azul-clara e vive nos arrecifes próximos da praia. É a guardiã de Olokum. Sob este nome ela é a mulher de Ogum, deus da guerra; é uma amazona terrível, que traz pendurado na cintura, um facão e outros instrumentos de ferro de Ogum. Ela é severa, rancorosa e violenta; detesta pato e adora carneiro.
Yemaya Maylewo ou Maleleo vive no mato, num lago ou numa fonte inesgotável, graças à sua presença. Como Oxum, ela tem relação com as feiticeiras. Tímida e reservada; incomoda-se quando se toca o rosto de sua iaô e retira-se da festa.
Yemaya Asaba, cujo olhar é insustentável. É muito altiva e escura apenas, virando-se de costa ou inclinando-se ligeiramente de perfil; é perigosa e voluntariosa. Usa uma corrente de prata no tornozelo. Ela foi à mulher de Orunmilá que escutou suas opiniões com respeito, apesar de ter utilizado os instrumentos da adivinhação, quando ele esteve ausente. Indignado Orunmilá expulsou-a momentaneamente. Yemaya Konla ou Akura vive na espuma da ressaca da maré, envolta numa vestimenta de algas e lodo. Yemaya Apara, vive na água doce, na confluência de dois rios, onde se encontra com sua irmã Oxum. Ela dança alegremente e com bons modos; cuida dos doentes e prepara remédios. Yemaya Asesu, mensageira de Olokum. Vive em água agitada e suja; é muito séria, come pato e é, também, muito lenta para atender aos pedidos de seus fiéis. Ela esquece o que se lhe pede e põe-se a contar meticulosamente as penas do pato que lhe foi sacrificado. Se enganar nos seus cálculos, recomeça essa operação que se prolonga indefinidamente.
No Brasil, Iemanjá é sincretizada com Nossa Senhora da Imaculada Conceição, festejada no dia 8 de dezembro, e, em cuba, com a Santa Virgem de Regla, festejada no dia 8 de setembro. Nesses dois países ela é mais ligada às águas salgadas, porém, as pessoas fazem abstração, na Bahia, do sincretismo que liga Oxum a Nossa Senhora das Candeias, festejada no dia 2 de fevereiro, pois é nesta data que se organiza um solene presente para Iemanjá. Isso mostra que o sincretismo entre os deuses africanos e os santos da Igreja Católica não é de uma rigidez e de um rigor absoluto.
A festa do dia 2 de fevereiro é uma das mais populares do ano, atraindo à praia do Rio Vermelho uma multidão imensa de fiéis e de admiradores de Mãe das Águas.
Iemanjá é freqüentemente representada sob a forma latinizada de uma sereia, com longos cabelos soltos ao vento.
Chamam-na, também, Dona Janaína ou, mesmo, Princesa ou Rainha do Mar. Neste dia, longas filas se formam diante da porta da pequena casa construída sobre um promontório, dominando a praia, no local aonde, nos outros dias do ano, os pescadores vêm pesar os peixes apanhados durante o dia.
Uma cesta imensa foi instalada de manhã, e começa então um longo desfile de pessoas de todas as origens e de todos os meio sociais, trazendo ramos de flores frescas ou artificiais, pratos de comidas feitas com capricho, frascos de perfumes, sabonetes embrulhados em papel transparente, bonecas, cortes de tecidos e outros presentes agradáveis a uma mulher bonita e vaidosa. Carta e súplicas não faltam, nem presentes em dinheiro, assim como colares e pulseiras. Tudo é arrumado dentro da cesta, até que, no final da tarde, ela está totalmente cheia com as oferendas, as flores colocadas por cima. O presente para Iemanjá, transformado numa imensa corbelha florida, é retirado com esforço da pequena casa e levado, em alegre procissão, até a praia, onde é colocado num saveiro.
O entusiasmo da multidão chega ao seu máximo; não se escutam senão gritos alegres, saudações e Iemanjá e votos de prosperidade futura. Uma parte da assistência embarca dos saveiros, barcos e lanchas a motor. A flotilha dirige-se para o alto-mar, onde as cestas são depositadas sobre as ondas. Segundo a tradição, para que as oferendas sejam aceitas, elas devem mergulhar até o fundo, sinal da aprovação de Iemanjá. Se elas boiarem e forem devolvidas à praia, é sinal de recusa, para grande tristeza e decepção dos admiradores da divindade.
No Rio de Janeiro, em Santos e Porto Alegre, o culto de Iemanjá é muito intenso durante a última noite do ano, quando centenas de milhares de adeptos vão, cerca de meia-noite, acender velas ao longo das praias e jogar flores e presentes no mar.
São seguidores de uma religião nova chamada umbanda, uma mistura entre as religiões africanas, o espiritismo de Alain Kardec e doutas elaborações filosófico-religiosas de tendências universalistas.
Esse movimento espiritual conhece, no Brasil e em vários outros países das Américas, um sucesso espetacular. Seus adeptos tomaram Iemanjá como à personificação do bem e da maternidade austera e protetora.
Ela é representada como uma espécie de fada, com a pele cor de alabastro, vestida numa longa túnica, bem ampla, de musselina branca com uma longa cauda enfeitada de estrelas douradas; surgindo das águas, com seus longos cabelos pretos esvoaçando ao vento, coroada com um diadema feito de pérola, tendo no alto uma estrela-do-mar.
Rosas brancas e estrelas douradas, desprendidas de sua cauda, flutuam suavemente no marulho das ondas. Iemanjá aparece magra e esbelta, com pequenos seios e o corpo imponentemente encurvado. Estamos bem longe da Iemanjá “matrona de seios volumosos”.
Há alguns anos, um zeloso padre católico organizou uma procissão noturna de Nossa Senhora, ao longo das praias do Rio de Janeiro no dia 3l de Dezembro. Seu intuito era o de atrair os mais católicos, entre os devotos de Iemanjá, para uma missa noturna em sua igreja. Porém, os resultados dessa iniciativa foram bem diferentes do que ele esperava. As pessoas reunidas nas praias se voltam respeitosamente para a procissão, ajoelharam, persignaram, mas, logo que ela se afasta, voltaram-se novamente para o mar, continuando sua devoção a Iemanjá. Persuadida de terem assistido à prova do sincretismo entre ela e Nossa Senhora, pois a imagem desta última estava presente ao longo da praia no momento em que eles a chamavam, por seu nome africano, em suas preces.
Em Cuba, Yemaya é conhecida pelo nome de Virgem de Regla. Sua festa, em 8 de setembro, dia da Natividade de Nossa de Nossa Senhora, atrai sempre uma grande multidão, composta na sua maioria de pessoa da santería, que nesse dia vêm demonstrar sua fé católica e sua devoção a Yemaya. No bairro de Regla, um subúrbio de Havana, perto da igreja, há dois cabildos, irmandades religiosas, católicas compostas de descendente de africanos lucumi (iorubá). O salão nobre dessas associações abriga ostensivamente um altar magnificamente enfeitado, onde figuram as imagens dos santos católicos sincretizados com os orixás lucumi. Os que mais se destacam são: a Virgen de Regla, Yemaya; a Virgen de la Merced, Orixalá; a Virgen de la Caridad Del Cobre, Oxum; e Santa Bárbara, Xangô.
Os lugares consagrados aos orixás africanos são instalados mais discretamente em uma sala contígua, reservada exclusivamente aos membros do cabildo.
Na véspera do dia 8 de setembro, são oferecidos sacrifícios de animais aos orixás e acendem-se velas diante do altar católico.
Lydia Cabrera escreve que depois dessa vigília noturna, todo mundo vai assistir à missa na Igreja de Regla e as imagens que enfeitam o altar do cabildo vão, pela manhã cedinho em procissão, visitar a Virgen de Regla no interior da sua igreja.
O cortejo é recebido pelo pároco, que o acompanha de volta à porta. Até aqui, salvaram-se a aparência católica da festa. “Mas um conjunto de três atabaques bàtá espera as quatro santas à saída e é ao som de instrumentos musicais africanos e de cantos em lucumi que a procissão segue sua marcha”. Como as pessoas que levam os andores marcam o ritmo da música, as santas imagens parecem desfilar dançando pelas ruas do bairro, inclinando-se e levantando-se em uníssono com a multidão.
A procissão vai até a praia, onde aqueles que tomam parte nessa cerimônia entregam-se a um ato de purificação, bebendo três goles dessa água salgada, e com ela borrifam o rosto e os braços. A procissão continua seu percurso, dançando ao som dos bàtá, e vai visitar diversas autoridades civis, depois os mortos e os antepassados que descansam no cemitério. Pára diante de todas as casas, muito numerosas nesse bairro, onde há um altar da Virgen de Regla. Esse passeio, que é uma dança ininterrupta, só acaba ao anoitecer.
Seu nome significa a mãe dos filhos-peixe. Originária do rio ogum, em Agbeokuta, Nigéria, tem seus domínios nas profundezas das águas, de onde emerge para atender seus devotos, principalmente as mulheres que atribuem a elas poderes que favorecem a fertilidade e a fecundidade. É maternal, sempre pronta para amamentar as crianças sob seu domínio.

Arquétipos: São autoritários e persistentes em relação aos filhos, são preocupados, responsáveis e decididos. São amigos e protetores e chegam às vezes, quando mulheres, a se comportarem como super mães. São agressivos e até traiçoeiros, quando a segurança dos filhos e da família está em jogo; 'são faladores, não gostam da solidão.

Lendas: Filha de olokum, deusa do mar, Yemonjá era casada com olófim Odudua com quem tinha dez filhos orixás. Por amamentá-los, ficou com seios enormes. Impaciente e cansada de morar na cidade de ifé, ela saiu em rumo oeste, e conheceu o rei okerê; logo se apaixonaram e casaram-se. Envergonhada de seus seios, Yemonjá pediu ao esposo que nunca a ridiculariza-se por isso. Ele concordou; porem, um dia, embriagou-se e começou a gracejar sobre os enormes seios da esposa. Entristecida, Yemonjá fugiu.
Desde menina, trazia num pote uma poção, que o pai lhe dera para casos de perigo. Durante a fuga, Yemonjá caiu quebrando o pote' a poção transformou-a num rio cujo leito seguia em direção ao mar. Ante o ocorrido, okerê, que não queria perder a esposa, transformou-se numa montanha para barrar o curso das águas. Yemonjá pediu ajuda ao filho xangô, e este, com um raio, partiu a montanha no meio; o rio seguiu para o oceano e, dessa forma, a orixá tornou-se a rainha do mar. Yemonja, cujo nome deriva de Yeye oman ejá, "Mãe cujos filhos são peixes", é o Orixá dos Egbás, uma nação yorubá estabelecida outrora na região de Ibadan, onde existe ainda o rio Yemonja. As guerras entre nações yorubás levaram os Egbás a emigrar, em direção oeste, para Agbeokuta, no inicio do século XIX. Evidentemente, não lhes foi possível carregar o rio, mas, em contrapartida, transportaram consigo objetos os sagrados, suportes do Asé da divindade, e o rio Ògún, que atravessa a região, tornou-se a partir de então, a nova morada de Yemonja. Este rio Ògún, entretanto, não deve ser confundido com Ògún, o deus do ferro e dos ferreiros, contrariamente à opinião de numerosos autores que escrevem sobre o assunto no século passado. Estes mesmo autores publicaram, a partir de 1884, copiando-se uns aos outros, uma série de lendas escabrosas e extravagantes que fizeram à delícia dos “meios eruditos", mas que eram completamente desconhecidos nos meios tradicionais. O templo principal de Yemonjá fica em Ibará, bairro da cidade de Agbeokuta. Os fiéis desta divindade vão procurar todos os anos, a água sagrada para levar os Axés, suportes de seu poder, não no rio Ògún, mas na fonte de um de seus afluentes, chamado Lakaxá. Esta água, recolhida em jarras, é trazida em procissão para seu templo. Yemonja seria a filha de Olokun, deus (em Bénin e em Lagos) ou deusa (em Ifé) do mar. Em certa lenda, ela aparece casada pela primeira vez com Orunmila, senhor das adivinhações, depois com Olofin-Ododúa, Rei de Ifé, com o qual teve dez filhos cujas atividades bastante diversificadas e cujos nome enigmáticos parecem corresponder a outros tantos Òrìsàs. Dois dentre eles são facilmente identificados: "O arco-iris-que-desloca-com-a-chuva-e-guarda-o-fogo-nos-seus-punhos" e "O trovão que se desloca com a chuva e revela seus segredos". Estas denominações representam, respectivamente, Oxumarê e Xangô. Yemonja, cansada de sua permanência em Ifé, foge mais tarde em direção ao oeste. Olokun que havia dado, outrora, por medida de precaução, uma garrafa contendo um preparado, pois "não-se-sabe-jamais-o-que-pode-acontecer-amanhã"; recomendara-lhe que a quebrasse no chão em caso de perigo. E assim, Yemonjá foi se instalar na "Noite-da-Terra", a este, em Abeokutá, "ilusão à migração dos Egbás". Olofin-Ododúa, rei de Ifé, lançou seu exercito em procura de Yemonja. Esta, cercada, em vez de se deixar prender e ser conduzida de volta a Ifé, quebrou a garrafa, segundo as instruções recebidas. Um rio criou-se na mesma hora, levando-a para Okun, o mar, lugar de residência de Olokun.


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