quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Oxóssi - Odé


Oxossi

No grupo Òdé - caçadores - sobressai Oxóssi, está ligado à terra virgem. Possui muita importância em Kétu, torna-se Alákétu (Rei do Kétu). É àxèxè (princípio dos princípios) dos descendentes de Kétu. Os Oge (chifres de touro) fazem a comunicação entre o Aiyé e Orún, chamados de: Olugboohun - o senhor escuta a minha voz.
Ìrùkèrè (Èrùkèrè) - espécie de cetro feitos com pelos do rabo de touro, presos em um couro duro, constituindo um cabo, e revestido com um couro fino, ornado com contas e cauris (búzios). É um dos principais instrumentos dos caçadores e detém poderes sobrenaturais. Na África nem um caçador, se aventuraria, a ir à floresta sem seu ìrùkèrè. É preparado com pós e remédios de diversos tipos, assim como folhas e fragmentos triturados dos animais sacrificados. Antes de serem presas, as raízes dos pelos devem durante algum tempo, ficar imerso num pote com uma combinação de elementos que constituem um axé especial, que lhe conferirá suas atribuições necessárias. Não é apenas mais um emblema, tem o poder de manejar e controlar todo tipo de espíritos da floresta.
Os pelos do rabo - parte posterior (poente) - representam os ancestrais, espíritos de animais e de todo tipo de espírito da floresta. Deus da caça, ligado às matas, irmão mais novo de Ogun, Odé é também parte dos orixás masculinos cujos princípios também são feitos de ferro. Alegre, jovial, expansivo e irrequieto, tem enorme popularidade na Bahia onde também é conhecido pelo nome de Oxóssi (Òxòósi).
Na África teria sido o irmão caçula ou filho de Ogun, com importância, como protetor dos caçadores; na medicina, pois os caçadores passam grande parte de tempo em contato com Ossain na floresta, divindade das folhas terapêuticas e litúrgicas, e, aprendem com ele parte do seu poder; na ordem social, pois em suas caças e expedições, descobre lugar favorável à instalação de uma nova roça ou de um vilarejo, tonando-se assim o primeiro ocupante do lugar e senhor da terra onílè, com autoridade sobre os habitantes que venham a se instalar posteriormente; de ordem administrativa e policial, pois antigamente os caçadores odé, eram os únicos a possuir armas nos vilarejos, servindo também de guardas-noturnos òxó.
O culto de Oxóssi encontra-se quase extinto na África, mas bastante difundido no Novo mundo, tanto em Cuba como no Brasil, pois seus iniciados foram vendidos como escravos para esses países; Eles trouxeram consigo o conhecimento do ritual. Suas cores são azul esverdeado, seu símbolo, o ofá, um arco e flecha em ferro forjado (hoje, outros metais) e o erukere, insígnia de dignidade dos reis da África e que lembra ele ter sido rei de Kêtu. Senhor das florestas seu habitat natural, onde vive e caça. É a divindade da harmonia e do equilíbrio ecológico, protege os caçadores e a caça ao mesmo tempo, não permite a caça predatória. Aceita somente a busca do alimento. Está associado com a vida ao ar livre e com os elementos da natureza. Como bom caçador, é solitário e individualista. Mas não dispensa das pessoas no convívio social. E nunca vive sem um grande amor. 

Lendas: A cada ano, apos a colheita, o rei de ijexá saudava a abundância de alimentos com uma festa, oferecendo a população inhame, milho e coco. O rei comemorava com sua família e seus súditos; só as feiticeiras não eram convidadas. Furiosas com a desconsideração, enviaram a festa um pássaro gigante que pousou no teto do palácio, encobrindo-o e impedindo que a cerimônia fosse realizada. O rei mandou chamar os melhores caçadores da cidade. O primeiro tinha vinte flechas. Ele lançou todas elas, mas nenhuma acertou o grande pássaro. Então o rei aborreceu-se, mas mandou-o embora. Um segundo caçador se apresentou este com quarenta flechas; o fato repetiu-se novamente e o rei mandou prendê-lo. Bem próximo dali vivia oxóssi, um jovem que costumava caçar à noite, antes do sol nascer; ele usava apenas uma flecha vermelha. O rei mandou chamá-lo para dar fim ao pássaro. Sabendo da punição imposta aos outros caçadores, a mãe de oxóssi, temendo pela vida do filho, consultou um babalaô que aconselhou que se fosse feita uma oferenda para as feiticeiras, ele teria sucesso. A oferenda consistia em sacrificar uma galinha e na hora da entrega dizer três vezes: que o peito do pássaro receba esta oferenda ! Nesse exato momento, oxóssi deveria atirar sua única flecha. E assim o fez, acertando o pássaro bem no peito. O povo então gritava: oxó wussi, (oxó é popular) passando a ser conhecido por oxóssi. O rei, agradecido pelo feito, deu ao caçador metade de sua riqueza e a cidade de ketu, "terra dos panos vermelhos", onde oxóssi governou ate sua morte, tornando-se depois um orixá.
Há uma síntese sobre esse orixá na edição anterior, eis então suas várias formas de se apresentar:
  • Oxossi akueran = um titulo do orixá;
  • Oxossi Nikati = um de seus nomes;
  • Oxossi Golomi = um de seus nomes;
  • Oxossi fomin = um de seus nomes;
  • Oxossi Ibo = um de seus mitos o liga a Ossain;
  • Oxossi Onipapo = um dos antigos, tem culto a mais de um século no país;
  • Oxossi Orisambo = possui seu assentamento diferente dos demais;
  • Oxossi Echeui/Echeue = seu mito o liga a Ossayn e às vezes a Osalá segundo os
     “antigos";
  • Oxossi Arole = uns de seus epítetos;
  • Oxossi Obaunlu = segundo registro há um assentamento deste orixá aqui no Brasil desde 1616 no ase de D. Olga de alaketu é considerado o patrono de ketu;
  • Oxossi Beno = um dos mais antigos, detalhe tem assento aqui em São Paulo, cidade considerada emergente para tradições do candomblé Ketu, com poucas casas antigas.
  • Oxossi Danadana = aquele que ateou fogo ou roubou, um epíteto dos mais perigosos dado ao caçador.
  • Ode Wawa = epíteto do caçador; não se tem notícia do seu culto no Brasil;
  • Ode Wale = epíteto do caçador, não se tem notícia de seu culto no Brasil;
  • Ode Oregbeule = é um Irunmale, portanto acima do orixá foi um dos companheiros de Odudua em sua chegada na terra segundo sua mitologia;
  • Ode Otin = outro caçador confundido com Oxossi, sua lenda o identifica ora como uma caçadora ora como um caçador, contudo sua ligação com Oxossi é fato, Otin se apresenta sempre junto com ele a ponto de confundi-los;
  • Ode Kare = um do caçadores que também mora as margens de um rio é irmão de iguidinile.
  • Ode Erinle = outro caçador confundido com Oxossi no Brasil. Seu assento é
    completamente diferente dos demais, pois Erinle ou Inle é um orixá do rio do
    mesmo nome, o rio Erinle que corta a região de Ilobu na Nigéria. Encontra-se
    seus mitos no odu Okaran-Ogbe e Odi-Obara. Sua esposa é Abatan, pois é
    considerado médico e ela enfermeira, seu culto antecede o de Ossayn, o pássaro
    os representam. Ibojuto é a sua própria reencarnação representado pelo bastão
    que vai em seu assentamento e tem a mesma importância do Ofa de Oxossi. Tem uma filha chamada Aguta que às vezes se apresenta como irmã ou como filha sendo sua mãe Ainan. Ode Otin se apresenta como sua filha, às vezes e ai é representado por uma enguia. Ainda temos Boiko como seu guardião, Asão seu amigo e Jobis seu ajudante. No Brasil o ligam a Osún e a Iyemanja, pois segundo sua lenda é pela boca dela que ele fala, Erinle é um orixá andrógino e considerado o mais belo dos caçadores;
  • Ode Ibualama = uma outra versão para Erinle quando ele se apresenta mais ao
    fundo do rio, há um templo com esse nome na África fazendo alusão ao seu
    fundador. Aliás, há vários templos, mas todos são de um orixá só: Erinle nessa
    situação o caçador traça um outro caminho e pactua seus mitos com Omolu,
    Osumare, Nana etc. A montagem de seu Igba (cuia) também difere de um simples alguidar com um ofa para cima como é comum às pessoas não esclarecidas assim fazer.
  • Ode Ologunede = o chefe de guerra de Ede, titulo ganhado quando seu pai o
    entregou aos cuidados de Ogún; Olo = senhor, gun = guerra, Ede = um lugar na áfrica. É filho de um outro caçador chamado Erinle tendo como mãe Osún Iponda. O posto de asogun, a priori, surge desse mito que o liga a Ogún companheiro de seu pai.
Possui outros nomes como Omo Alade, ou seja, o príncipe coroado. Não há
qualidades de Logun como acreditam alguns tais como locibain, aro aro, etc., são apenas nomes tirados de cânticos, aliás, aro quer dizer tanta coisa menos nome de orixá. O nome Ibain é de um outro caçador homenageado nos cânticos de Ologun, esse caçador inclusive é o verdadeiro proprietário dos chifres tão importantes no culto. Oba L`Oge é um outro nome para esse orixá. É da região de Ijesa;


Qualidades


Orè ou Orèlúéré
Inlé ou Erinlè, ou ainda Age.
Ibùalámo
Fayemi
Ondun
Asunara
Apala
Agbandada
Owala
Kusi
Ibuanun
Olumeye
Akanbi
Alapade
Mutalambo


Arquétipos

O arquétipo de Oxossi é o das pessoas espertas, rápidas, sempre alerta e em movimento. São pessoas cheias de iniciativas e sempre em vias de novas descobertas ou de novas atividades. Têm o senso de responsabilidade e dos cuidados para com a família. São generosas, hospitaleiras e amigas da ordem, mas gostam muito mudar de residência e de achar novo meios de existência em detrimento, algumas vezes, de uma vida doméstica harmoniosa e calma. São pessoas espertas, ágeis e esbeltos, tem senso de responsabilidade, apaixonados, românticos, carinhosos, volúveis e narcisistas. São festeiros, amáveis, educados e muito estimados, podem a chegar a serem falsos e traiçoeiros. Tem muitas qualidades artísticas, muita criatividade, iniciativa, são muito curiosos, as vezes agressivos e franco a ponto de serem grosseiros, são pessoas que não guardam segredos. Solitários, no trabalho exigem silêncio e concentração. Observadores e joviais, ágeis e espertos, estão sempre atentos. Seus objetivos estão em primeiro lugar, são lideres e independentes ao mesmo tempo em que são pacientes com as pessoas, são rápidos e espontâneos nas ações. Comunicativos e ordeiros, amantes e sonhadores, no fundo são pessoas românticas e vaidosas, que passam por esnobes e exibicionistas e que necessitam do convívio social para exercitar suas qualidades de liderança.  

Oxóssi
  • Deus da caça. É o grande patrono do candomblé brasileiro.
  • Elemento: florestas
  • Personalidade: intuitivo e emotivo
  • Símbolo: rabo de cavalo e chifre de boi
  • Dia da semana:
  • quinta-feira
  • Colar: azul claro
  • Roupa: azul ou verde claro
  • Sacrifício: galo e bode avermelhados e porco
  • Oferendas: milho branco e amarelo, peixe de escamas, arroz, feijão e abóbora

Ervas

Teté = Bredo sem espinhos
Orin-rin = Alfavaquinha
Odun-dun = Folha-da-costa
Jacomijé = Jarrinha
Irekê-omin = Dandá do brejo
Piperégún= Nativo
Junçá =Espada de Ògún
Ìróko= Folha de loko
Mariwô =Folha de dendezêiro
Irum-perlêmin = Capim cabeludo
Akoko
Fitiba = Cana-fita
Monam =Parietária


Oferenda

Frutas para Oxóssi
Ingredientes:
7 tipos de frutas
Modo de preparo:
Em um alguidar ou cesta coloque 7 tipos de frutas bem bonitas (exceto abacaxi, mimosa, limão) enfeite com folhas de goiaba e côco cortado em tirinhas.

Oşoosì na África

Oxossi, o deus dos caçadores, teria sido o irmão caçula ou filho de Ogum. Sua importância deve-se a diversos fatores.
O primeiro é de ordem material, pois, como Ogum, ele protege os caçadores, torna suas expedições eficazes, delas resultando caça abundante.
O segundo é de ordem médica, pois os caçadores passam grande parte do seu tempo na floresta, estando em contato freqüente com Ossain, divindade das folhas terapêuticas e litúrgicas, e aprendem com ele parte do seu saber.
O terceiro é de ordem social, pois normalmente é um caçador que, durante suas expedições, descobre um lugar favorável à instalação de uma nova roça ou de um vilarejo. Torna-se assim o primeiro ocupante do lugar e senhor da terra (oníle), com autoridade sobre os habitantes que aí venham a se instalar posteriormente.
O quarto é de ordem administrativa e policial, pois antigamente os caçadores (ode) eram únicos a possuir armas no vilarejo, servindo também de guardas-noturnos (oso).
Uma lenda explica com surgiu o nome Oşoosì, derivado de Oşowusì (o guarda noturno é popular): Olofin Odùduà, rei de Ifé, celebrava a festa dos novos inhames, um ritual indispensável no inicio da colheita, antes do quê, ninguém podia comer desses inhames. Chegado o dia, uma grande multidão reuniu-se no pátio do palácio real. Olofin estava sentado em grande estilo, magnificamente vestido, cercado de suas mulheres e de seus ministros, enquanto os escravos o abanavam e espantavam as moscas, os tambores batiam e louvores eram entoados para saudá-lo. As pessoas reunidas conversavam e festejavam alegremente, comendo dos novos inhames e bebendo vinho de palma.
Subitamente um pássaro gigantesco voou sobre a festa, vindo pousar sobre o teto do prédio central do palácio. Esse pássaro malvado fora enviado pelas feiticeiras, as Ìyámi Òşòròngà, chamadas também as Eleye, isto é, as proprietárias dos pássaros, pois elas utilizam-nos para realizar seus nefastos trabalhos. A confusão e o desespero tomam conta da multidão. Decidiram, então, trazer sucessivamente Oxotogun, o caçador das vinte flechas, de Ido; Oxotogí, o caçador das quarenta flechas, de Moré; Oxotadotá, o caçador das cinqüenta flechas, de Ilarê, e finalmente Oxotokanxoxô, o caçador de uma só flecha, de Iremã. Os três primeiros muitos seguro de si e uns tanto fanfarrões, fracassaram em suas tentativas de atingir o pássaro, apesar do tamanho deste e da habilidade dos atiradores. Chegada a vez de Oxotokanxoxô, filho único, sua mãe foi rapidamente consultar um babalaô que lhe declarou: “ Seu filho esta a um passo da morte ou da riqueza. Faça uma oferenda e a morte tornar-se-á riqueza” . Ela foi colocar na estrada uma galinha, que havia sacrificado, abrindo-lhe o peito, como deveriam ser feitas as oferendas as feiticeiras, e dizendo três vezes: “Quero o peito do pássaro receba esta oferenda” . Foi no momento preciso que seu filho lançava sua única flecha. O pássaro relaxou o encanto que o protegia, para que a oferenda chegasse ao seu peito, mas foi a flecha de Oxotokanxoxô que o atingiu profundamente. O pássaro caiu pesadamente, se debateu e morreu.
Todo mundo começou a dançar e cantar: “Oxó (Oşo) é popular! Oxó é popular! Oxowussi (Oşowusì)! Oxowussi!! Oxowussi!!” Com o tempo Oşowusì transformou-se em Oşoosì.

Oxossi no Novo Mundo

O culto de Oxossi encontra-se quase extinto na África, mas bastante difundido no Novo Mundo, tanto em Cuba como no Brasil. Na Bahia chega-se mesmo a dizer que ele foi rei de Kêto, onde outrora era cultuado. Isso explica, talvez, pelo fato de este país ter sido completamente destruído e saqueado pelas tropas do rei Daomé, no século passado, e seus habitantes, inclusive os iniciados de Oxossi, foram vendidos como escravos para o Brasil e Cuba. Esses africanos trouxeram consigo o conhecimento do ritual de celebração desse culto. Chegou-se a tal ponto que, embora extinto ainda em Kêto os locais onde Oxossi recebia outrora referendas e sacrifícios, já não existiam atualmente pessoas que saibam ou desejem cultuá-lo.
No Brasil, seus numerosos iniciados usam colares de contas azul-esverdeadas e quinta-feira é o dia da semana que lhe é consagrado. Seu símbolo é um arco e flecha em ferro foriado. Sacrificam-lhe porcos e são lhe oferecidos pratos de feijão preto ou fradinho com eran patere (miúdos de carne).
Oxossi é sincretizado na Bahia com São Jorge e com São Sebastião no Rio de Janeiro, enquanto em Cuba ele é São Noberto.
No decorrer do “xirê” dos orixás, ele segura em uma das mãos um arco e flecha, seus símbolos, e na outra um  erukerê (espanta moscas), insígnia de dignidade dos reis da África e que lembra ter sido ele rei de Ketô. Suas danças imitam a caça, a perseguição do animal e o atirar da flecha. Oxossi é saudado com o grito “Okê!”.
Conta-se no Brasil que Oxossi era irmão de Ogum e de Exu, todos os três filhos de Iemanjá. Exu era indisciplinado e insolente com sua mãe e por isso ela o mandou embora. Os outros dois se conduziam melhor. Ogum trabalhava no campo e Oxossi caçava na floresta das vizinhanças, de modo que a casa estava sempre abastecida de produtos agrícolas e de caça. Iemanjá, no entanto, ainda inquieta resolveu consultar um babalaô. Este lhe aconselhou a proibir que Oxossi saísse à caça, pois se arriscava a encontrar Ossain, aquele que detém o poder das plantas e que vivia nas profundezas da floresta.
Oxossi ficaria exposto a um feitiço de Ossain para obrigá-lo a permanecer em sua companhia.
Iemanjá exigiu, então, que Oxossi renunciasse as suas atividades de caçador. Este, porém de personalidade independente, continuou suas incursões à floresta. Ele partia com outros caçadores, e como sempre faziam uma vez chegados juntos a uma grande árvore (ìrókò), separava-se, prosseguindo isoladamente, e voltavam a se encontrar no fim do dia e no mesmo lugar. Certa tarde, Oxossi não voltou para o reencontro, nem respondeu aos apelos dos outros caçadores. Ele havia encontrado Ossain e este lhe dera pára beber uma poção onde foram maceradas certas folhas, como a amúnimúyè, cujo nome significa “apossa-se de uma pessoa e de sua inteligência” , o que provocou
Oxossi uma amnésia. Ele não sabia, mas quem era nem onde morava. Ficou, então, vivendo na mata com Ossain, como predissera o babalaô.
Ogum inquieto com a ausência do irmão partiu à sua procura, encontrando-o nas profundezas da floresta. Ele o trouxe de volta, mas Iemanjá não quis, mas receber o filho desobediente. Ogum, revoltado pela intransigência materna, recusou-se a continuar em casa (é por isso que o lugar consagrado a Ogum está sempre instalado ao ar livre). Oxossi voltou para a companhia de Ossain, e Iemanjá, desesperada por ter perdido seus filhos, transformou-se em um rio, chamado Ògùn (não confundir com Ògún, o orixá).
O narrador desta lenda chamou a atenção para o fato de que “ esses quatro deuses iorubas — Exu, Ogum, Oxossi e Ossain — são igualmente simbolizados por objetos de ferro forjado e vivem ao ar livre” .

Outros deuses de caça

Oreluerê (Orelúéré)
Além de Ogum e Oxossi, existem outros deuses da caça entre os iorubas, citemos Ore (Ore) ou Orelúéré (Oreluerê), que, segundo alguns, teria sido um dos dezesseis companheiros de Odùdùa na ocasião de sua chegada a Ifé. Segundo outros, ele teria sido um dos chefes dos igbôs, juntamente com Orixalá, para opor uma forte resistência aos invasores.

Inlé (Erinle)
Em Ijexá, onde passa um rio chamado Erinle, há um deus da caça com o mesmo nome. Seu templo principal é em Ilobu, onde, segundo onde Ulli Beier, dois cultos teriam se misturado: o culto do rio e do caçador de elefantes, que, em diversas ocasiões, viera ajudar os habitantes de Ilobu a combater seus adversários. Seu símbolo, de ferro forjado, é um pássaro fixo sobre uma haste central, circundada por dezesseis outras hastes sobre as quais se encontra também um pássaro. O culto de Erinle realiza-se as margens de diversos lugares profundos (ibù) do rio. Cada um desses lugares recebe um nome, mas é sempre Erinle que é adorado sob todos esses nomes. Ele recebe oferendas de acarajé, de inhames, bananas, milhos, feijão assado, tudo regado com azeite-de-dendê.
No Brasil e em Cuba é conhecido com o nome de Inlé.

Ibualama (Ibùalámo)
Um desses lugares profundos de Erinle dos quais falamos acima Ibùalámo (Ibualama). Ele tem certa notoriedade e é objeto de um culto praticado no Novo Mundo, principalmente na Bahia, onde, durante as danças, ele traz nas mãos o símbolo de Oxossi, o arco e flecha de ferro, assim como uma espécie de chicote (bilala), com o qual ele se fustiga a si mesmo. 

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