quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Oxum


Oxum

Orixá originário da terra de Ijexá. Genitora por excelência, ligada particularmente à procriação. Deusa das águas doces reina sobre os rios, também divindade do ouro e dos metais amarelos. Coquete e vaidosa foi segunda esposa de Xangô, tendo vivido anteriormente com Ogun, Orunmilá e Oxóssi.
Oxum é o nome de um rio em Oxogbo, região da Nigéria. É ele considerado a morada mítica do Orixá. Apesar de ser comum a associação entre rios e Orixás femininos da mitologia africana, Oxum é destacada como a dona da água doce e, por extensão, de todos os rios. Portanto seu elemento é a água em discreto movimento nos rios, a água semiparada das lagoas não pantanosas, pois as predominantemente lodosas são destinadas à Nanã e, principalmente as cachoeiras são de Oxum, onde costumam ser-lhe entregues as comidas rituais votivas e presentes de seus filhos-de-santo.
Oxum tem a ela ligado o conceito de fertilidade, e é a ela que se dirigem as mulheres que querem engravidar sendo sua a responsabilidade de zelar tanto pelos fetos em gestação como pelas crianças recém-nascidas, até que estas aprendam a falar.
Dentro desta perspectiva, Iemanjá e Oxum dividem a maternidade. Mas há também outra forma de análise; a por faixas etárias, correspondentes a cada arquétipo básico. Nanã é a matriarca velha, ranzinza, avó que já teve o poder sobre a família e o perdeu, sentindo-se relegada a um segundo plano. Iemanjá é a mulher adulta e madura, na sua plenitude. É a mãe das lendas – mas nelas, seus filhos são sempre adultos. Apesar de não ter a idade de Oxalá (sendo a segunda esposa do Orixá da criação, e a primeira é a idosa Nanã), não é jovem. É a que tenta manter o clã unido, a que arbitra desavenças entre personalidades contrastantes, é a que chora, pois os filhos adultos já saem debaixo de sua asa e correm os mundos, afastando-se da unidade familiar básica.
Para Oxum, então, foi reservado o posto da jovem mãe, da mulher que ainda tem algo de adolescente, coquete, maliciosa, ao mesmo tempo em que é cheia de paixão e busca objetivamente o prazer. Sua responsabilidade em ser mãe se restringe às crianças e bebês. Começa antes, até, na própria fecundação, na gênese do novo ser, mas não no seu desenvolvimento como adulto. Oxum também tem como um de seus domínios, a atividade sexual e a sensualidade em si, sendo considerada pelas lendas uma das figuras físicas mais belas do panteão mítico iorubano.
Oxum é ambiciosa; sua cor é cobre com raias de ouro. Segundo a tradição ioruba, seu metal é o cobre – mas a correlação com o ouro não está basicamente errada, pois, de acordo com os historiadores, o cobre era o metal mais caro conhecido naquela região. Oxum, portanto, gosta das riquezas materiais, mas não numa perspectiva de usura nem uma mesquinhez de quem quer ter riquezas para escondê-las.
A iniciação (na Umbanda ou no Candomblé) é um nascimento e o poder da fecundidade tem de estar presente, pois Oxum mostrou que a menstruação, em vez de constituir motivo de vergonha e de inferioridade nas mulheres, pelo contrário proclama a realidade do poder feminino, a possibilidade de gerar filhos.
Além disso, o fluir nada fixo da água doce pelos diversos caminhos, a maneabilidade do elemento se manifestam no comportamento de Oxum. Sua busca de prazer implica sexo e também ausência de conflitos abertos – é dos poucos Orixás iorubas que absolutamente não gosta da guerra.
Maternal, carinhosa e muito afeita às crianças, amante da beleza e do adorno. Também é chamada de Iyálòóde, título conferido à pessoa que ocupa o lugar mais importante entre todas as mulheres da cidade. Seus axés são pedras do fundo do rio Oxum, jóias de cobre, no Brasil, pedras de rio e adornos de metal amarelo. Sua cor e contas é amarelo-ouro, sua saudação: Ore Yèyé o!!! Chamemos a benevolência da mãe!!!
Dona das águas. Na áfrica, mora no rio oxum. Senhora da fertilidade, da gestação e do parto, cuida dos recém-nascidos, lavando-os com suas águas e folhas refrescantes. Jovem e bela mãe mantém suas características de adolescente. Cheia de paixão, busca ardorosamente o prazer. Coquete e vaidosa é a mais bela das divindades e a própria malícia da mulher-menina. É sensual e exibicionista, consciente de sua rara beleza, e se utiliza desses atributos com jeito e carinho para seduzir as pessoas e conseguir seus objetivos. Quando Orunmila estava criando o mundo, escolheu oxum para ser a protetora das crianças. Ela deveria zelar pelos pequeninos desde o momento da concepção, ainda no ventre materno, ate que pudessem usar o raciocínio e se expressar em algum idioma.
Por isso, oxum é considerada o orixá da fertilidade e da maternidade. Por sua beleza, oxum também é tida como a deusa da vaidade, sendo vista como uma orixá jovem e bonita, mirando-se em seus espelhos e abanando-se com seu leque (abebé).
Em seus oriki assim é evocada:
Oxum, graciosa mãe, plena de sabedoria!
Que enfeita seus filhos com bronze.
Que fica muito tempo no fundo das águas gerando riquezas.
Que se recolhe ao rio para cuidar das crianças.
Que cava e cava a areia e nela enterra dinheiro.
Mulher poderosa que não pode ser atacada.

Mulheres louvam a fertilidade trazida por Oxum, repetindo: Yeye o, yeye o, yeye o. Oh, graciosa mãe, oh, graciosa mãe, oh, graciosa mãe! Alguns mitos referem-se a ela como Osún Osogbo - Oxum da cidade de Osogbo, outros enfatizam sua proximidade com Logunedé, ora apresentado como filho, ora como mensageiro, havendo entre ambos tão estreita relação que chegam a ser considerados complementares. Outros mitos, ainda, a apresentam como esposa de Ifá. E aqueles que a apresentam como esposa de Xangô narram que ao tomar conhecimento da morte do marido, ficou desesperada, transformou-se num rio. Bastante cultuada em Osogbo, é considerada também, a divindade protetora de Abeokutá. Seus devotos freqüentemente dedicam-lhe um córrego ou rio, chamando-o de odo Osún - rio de Oxum, ao lado do qual colocam o santuário. Chamada mãe das crianças, a ela pertence à fertilidade de homens e mulheres. Todo ano, por ocasião do festival realizado em sua homenagem, mulheres estéreis tomam água de seu santuário esperando retornar no ano seguinte com os filhos por ela concedidos, para agradecerem à graça alcançada. Não apenas a fertilidade pertence a Oxum. A prosperidade também. Além disso, confere a seus devotos a desejada proteção contra acontecimentos adversos. Assim sendo, é invocada nas mais distintas circunstâncias, pois não há o que não possa fazer para ajudar seus devotos. Os sacerdotes de Oxum, normalmente, trançam os cabelos de modo feminino e usam colares feitos de contas transparentes da cor do âmbar, tornozeleiras, braceletes e diversos objetos de bronze e metais amarelos. Seu assentamento guarda o ota (pedra); uma espada de metal amarelo ou um leque; uma tornozeleira; alguns búzios; moedas; pente, peregun; tecido branco. Ao lado fica um pote de água com seu axé. Em muitos assentamentos encontramos, também, estatuetas representando uma mulher de cabelos trançados, segurando  um bebê ou amamentando. É comum encontrarmos o assentamento de Logunedé junto ao de Oxum. Aceita em sacrifício: galinha, gin, osun (espécie de giz vermelho), obi, ole (prato preparado com feijão moído), akara (bolinho parecido com o acarajé brasileiro) e eko (mingau preparado com amido de milho branco).
  • Deusa das águas doces (rios, fontes e lagos). É também deusa do ouro, da fecundidade, do jogo de búzios e do amor.
  • Elemento: água
  • Personalidade: maternal e tranqüila
  • Símbolo: abebê (leque espelhado)
  • Dia da semana: sábado
  • Colar: amarelo ouro
  • Roupa: amarelo ouro
  • Sacrifício: cabra, galinha, pomba.
  • Oferendas: milho branco, xinxim de galinha, ovos, peixes de água doce.

Qualidades

  • Osún Opara = a orixá se apresenta jovem e guerreira.
  • Osún Iponda = jovem e guerreira, da cidade de Iponda.
  • Osún Ajagura = jovem e guerreira, nação nagô - Oyo, Pernambuco.
  • Osún Aboto = aspecto maduro da orixá.
  • Osún Ijimun = aspecto idosa e dada às feitiçarias, ligação com Iami Eleye.
  • Osún Iberin = aspecto maduro da orixá, nessa forma não desce nas cabeças.
  • Osún Ipetu = aspecto maduro da orixá.
  • Osún Ikole = seu mito a liga a Iemanjá e Ode Erinle, transformou-se numa ave.
  • Osún Popolokun = Conta os antigos que não vem mais, será?
  • Osún Osogbo = ela deu origem ao nome da cidade de Osogbo.
  • Osún Ioke = Se apresenta como caçadora.
  • Osún Kare = Um de seus títulos, Kare tem seu próprio nome que poucos conhecem.
  • Iyeyeo Ominibu = epíteto da Osún.

Existem 16 tipos diferentes de Oxum, das quase adolescentes até as mais velhas, sendo, portanto 16 o número sagrado da mãe da água doce. Diz à lenda que as mais velhas moram nos trechos mais profundos dos rios, enquanto as mais novas nos trechos mais superficiais. Entre essas 16, três são marcadas como guerreiras (Apara, a mais violenta, Iê Iê Kerê, que usa arco e flecha, e Ié Ié Iponda, que usa espada), mas a maior parte delas é mais pacífica, não gostando de lutas e guerras, desde Oxum Obotó, muito suave e feminina, até a versão mais velha, a não menos vaidosa Oxum Abalo.

  1. Abalu (a mais velha de todas) - ABALÔ (carrega ogum é uma iansã)
  2. Jumu ou Ijimu (a mãe de todas, estreita ligação com as Ìyámi).
  3. Aboto ou Oxogbo (feminina e coquete, ajuda as mulheres terem filhos).
  4. Apara (a mais jovem e guerreira)
  5. Ajagura (guerreira)
  6. Yeye Oga (velha e enquizilada)
  7. Yeye Petu
  8. Yeye Kare (guerreira)
  9. Yeye Oke (guerreira)
  10. Yeye Onira (guerreira)
  11. Yeye Oloko (vive nas florestas)
  12. Yeye ponda (esposa de Oxóssi Ibualama, guerreira e porta um leque).
  13. Yeye Merin ou Iberin (feminina e coquete)
  14. Yeye Àyálá ou Ìyánlá (a avó, que foi mulher de Ogum).
  15. Yeye Lokun ou Pòpòlókun (que não desce sobre a cabeça de suas filhas)
  16. Yeye Odo (dos perdões)

Arquétipos

O arquétipo psicológico associado a Oxum se aproxima da imagem que se tem de um rio, das águas que são seu elemento; aparência da calma que pode esconder correntes, buracos no fundo, grutas – tudo que não é nem reto nem direto, mas pouco claro em termos de forma, cheio de meandros. Os filhos de Oxum preferem contornar habilmente um obstáculo a enfrentá-lo diretamente, por isso mesmo, são muito persistentes no que buscam, tendo objetivos fortemente delineados, chegando mesmo a ser incrivelmente teimosos e obstinados.
A imagem doce, que esconde uma determinação forte e uma ambição bastante marcante colabora a tendência que os filhos de Oxum têm para engordar; gostam da vida social, das festas e dos prazeres em geral.
O sexo é importante para os filhos de Oxum. Eles tendem a ter uma vida sexual intensa e significativa, mas diferente dos filhos de Iansã ou Ogum.
Os filhos de Oxum são mais discretos, pois, assim com apreciam o destaque social, temem os escândalos ou qualquer coisa que possa denegrir a imagem de inofensivos, bondosos, que constroem cautelosamente.
Na verdade os filhos de Oxum são narcisistas demais para gostarem muito de alguém que não eles próprios – mas sua facilidade para a doçura, sensualidade e carinho pode fazer com que pareçam os seres mais apaixonados e dedicados do mundo.
Faz parte do tipo, certa preguiça coquete, uma ironia persistente, porém discreta e, na aparência, apenas inconseqüente. Verger define: O arquétipo de Oxum é o das mulheres graciosas e elegantes, com paixão pelas jóias, perfumes e vestimentas caras. Das mulheres que são símbolos do charme e da beleza. Voluptuosas e sensuais, porém mais reservadas que Oiá. Elas evitam chocar a opinião pública, à qual dão grande importância. Sob sua aparência graciosa e sedutora esconde uma vontade muito forte e um grande desejo de ascensão social. Até um dos defeitos mais comuns associados à superficialidade de Oxum é compreensível como manifestação mais profunda: seus filhos tendem a ser fofoqueiros, mas não pelo mero prazer de falar e contar os segredos dos outros, mas porque essa é a única maneira de terem informações em troca. São pessoas graciosas, elegantes, sensíveis e delicadas. O encanto são armas para conseguir o que desejam, chegam a ser infantis, não recusam nada, premunição, podem ser perigosas, falsas, egoístas, calma, adoram jóias, tendência a perdê-las, buscam sempre uma posição social, emotivas, voz suave, independentes, meigas, sorridentes e muitas vezes preguiçosas, tem tendências a muitos problemas conjugais e são muito astutas.
São pessoas graciosas e elegantes, com paixão pelas jóias, perfumes e vestimentas caras. São o símbolo do charme e da beleza. Voluptuosos e sensuais. Sob a aparência graciosa e sedutora, escondem uma vontade muito forte e um grande desejo de ascensão social. No tempo da criação, quando Oxum estava vindo das profundezas do orun, Olodumare confiou-lhe o poder de zelar por cada uma das crianças criadas por Orixá, que nasceriam na terra. Oxum seria a provedora de crianças. Ela deveria fazer com que as crianças permanecessem no ventre de suas mães, assegurando-lhes medicamentos e tratamentos apropriados para evitar abortos e contratempos antes do nascimento... Não deveria encolerizar-se com ninguém a fim de não recusar crianças a inimigos e conceder gravidez a amigos. Foi à primeira Iya-mi encarregada de ser Olutoju awom omo - aquela que vela por todas as crianças e Alawoye omo - a que cura crianças.  

Ervas


Teté = Bredo sem espinhos
Orim-rim = Alfavaquinha
Odum-dum = Folha da costa
Efim = Malva branca
Omim = Beldroega
Já = Capeba
Ìróko = Folha de loko
Pepe = Malmequer branco
Teterégún = Canela de macaco
Monan = Parietária
Jamin =Cajá
Tolu-tolu = Papinho de peru
Aferé = Mutamba
Eim-dum-dum = Folha da fortuna
Obô = Rama de leite
Omin-ojú = Golfo branco
Ilerin = Folha de vintém


Oferenda                                Omolokum para Oxum
                              
Ingredientes:                            500g. De feijão fradinho
1 cebola
Azeite de oliva
8 ovos
Modo de preparo:
Cozinhe o feijão fradinho com cebola e azeite de oliva, depois de cozido amasse-o bem até formar uma pasta. Coloque um recipiente de louça enfeite com os 8 ovos cozidos cortados em quatro e regue com bastante oliva.

Òsun na África

Oxum é a divindade do rio de mesmo nome que corre na Nigéria, em Ijexá e Ijebu. Era segundo dizem, a segundo mulher de Xangô, tendo vivido antes com Ogum, Orunmilá e Oxossi.
As mulheres que desejam ter filhos dirigem-se a Oxum, pois ela controla a fecundidade, graças aos laços mantidos com Ìyámi-Àjé (“Minha Mãe Feiticeira” ).
Sobre este assunto, uma lenda conta que: “Quando todos os orixás chegaram a terra, organizaram reuniões onde as mulheres não eram admitidas. Oxum ficou aborrecida por ser posta de lado e não poder participar de todas as deliberações. Para se vingar, tornou as mulheres estéreis e impediu que as atividades desenvolvidas pelos deuses chegassem a resultados favoráveis. Desesperados, os orixás dirigiram-se a Olodumaré e explicaram-lhe que as coisas iam mal sobre a terra, apesar das decisões que tomavam em suas assembléias. Olodumaré perguntou se Oxum participava das reuniões e os orixás responderam que não. Olodumaré explicou-lhes então que, sem a presença de Oxum e do seu poder sobre a fecundidade, nenhum de seus empreendimentos poderia dar certo. De volta a terra, os orixás convidaram Oxum para participar de seus trabalhos, o que ela acabou por aceitar depois de muito lhe rogarem. Em seguida, as mulheres tornaram-se fecundas e todos os projetos obtiveram felizes resultados” .
Oxum é chamada de Ìyálóòde (Iaodê) título conferido à pessoa que ocupa o lugar mais importante entre todas as mulheres da cidade. Além disso, ela é a rainha de todos os rios e exerce seu poder sobre a água doce, sem a qual a vida na terra seria impossível. Os seus axés são constituídos por pêras do fundo do rio Oxum, de jóias de cobre e de um pente de tartaruga. O amor de Oxum pelo cobre, o metal mais precioso do país iorubá nos tempos antigos, é mencionado nas saudações que lhe são dirigidas: “Mulher elegante que tem jóias de cobre maciço”. É uma cliente dos mercadores de cobre. Oxum limpa suas jóias de cobre antes de limpar seus filhos. Numerosos lugares profundos (ibù), entre Igèdè, onde nasce o rio, e Lke, onde ele deságua na lagoa, são os laçais de residência de Oxum. Aí, ela é adorada sob nomes diferentes e suas características são distintas uma das outras. Encontramos: Yèyé Odò, perto da nascente do rio; Òxun Ijùmú, rainha de todas as Oxuns e que , como a que vem a seguir, está em estreita ligação com as bruxas Ìyámi-Àjè; Òxun Àyálá ou Òxun Ìyánlá, a Avó, que foi a mulher de Ogum; Òxun Oxogbo, cuja fama é grande por ajudar as mulheres a ter filhos; Òxun Apara, a mais jovem de todas, de gênio guerreiro; Òxun Abalu, a mais velha de todas; Òxun Ajagira, muito guerreira; Yèyé Oga, velha e brigona; Yèyé Olóko, que vive na floresta; Yèyé Ipetú; Yèyé Merin ou Iberin, feminina e elegante; Yèyé Kare, muito guerreira; Yèyé Oníra, guerreira; Yèyé Oke, muito guerreira; Òxun Pòpòlókun, cujo culto é realizado próximo à lagoa e que, diz-se no Brasil, não sobe à cabeça das pessoas.
Sobre Òxun Àyálá, também chamada de Òxun Ìyánlá, a Avó, diz-se que era uma mulher poderosa e guerreira, que ajudava Ogum Alagbedé, seu esposo, na forja, da mesma maneira que Oiá. Ogum forjava e, quando o ferro começava a esfriar, ele o colocava no fogo, atiçado por oxum que fazia funcionar os foles em cadência. O barulho que eles faziam kutu, kutu, kutu, era ritmado e parecia que Oxum tocava um instrumento de música. Um Egúngún que passava pela rua se pôs a dançar, inspirado pelo som que provinha dos foles. Os passantes maravilhados testemunharam seu contentamento oferecendo dinheiro. Muito honestamente. Egúngún entregou metade da soma recolhida a Oxum, a Avó, o que lhe valeu ser denominada de: “Tocadora de música num fole para fazer dançar Egúngún”. Proprietária do fole que sussurra como a chuva, E cuja tosse ressoa como urra o elefante.
Segundo Epega, os reis Awaùjalè de Ijebu-Erê, em Eriti, e de Ijebu-Odê, em Ijebu, saúdam Oxum dizendo: “Minha Mãe”.
 Laços muito estreitos existem entre Oxum e os reis de Oxogbô.
Neste lugar, a festa anual das oferendas a Oxum é uma comemoração pela chegada de Laro, fundador da dinastia, às margens deste rio cujas águas correm permanentemente. Laro, depois de muitas atribulações, achando o local favorável ao estabelecimento de uma cidade, aí se fixou com a sua gente. Alguma dias depois de sua chegada, uma de suas filhas foi banhar-se no rio e desapareceu sob as águas. Reapareceu no dia seguinte, soberbamente vestida, declarando ter sido muito bem acolhida pela divindade do rio. Laro, para demonstrar a sua gratidão, dedicou-lhe oferendas. Numerosos peixes, mensageiros da divindade, vieram comer, em sinal de aceitação, as comidas que Laro havia jogado nas águas. Um grande peixe, que nadava próximo ao local onde este se encontrava, cuspiu-lhe água. Laro recolheu esta água numa cabaça e bebeu, fazendo assim um pacto de aliança com o rio. Estendeu, depois, as duas mãos para frente e o grande peixe saltou sobre elas. Laro recebeu o título de Atóója – contração da frase ioruba A téwó gbáà ejá (Ele estende as mãos e recebe o peixe) e declarou: Òxun gbo (Oxum está em estado de maturidade), suas águas serão sempre abundantes.
 Essa foi à origem do nome da cidade de Oxogbô. No dia da festa anual, Atáója vai solenemente até as margens do rio.
Tem a cabeça coberta por uma coroa monumental feita com pequenas miçangas reunidas e é vestido com pesada roupa de veludo. Anda com calma e gravidade, rodeado por suas mulheres e seus dignitários.
Nessa procissão anual, uma de suas filhas leva a cabaça contendo os objetos sagrados de Oxum. É a Arugbá Òxun (aquele que leva a cabaça de Oxum). Ela representa a moça que outrora desapareceu no rio. Sua pessoa é sagrada, e o próprio rei inclina-se à sua frente. Depois que atinge a idade da puberdade, ela não pode mais preencher essa função. Mas, pela graça de Oxum, a descendência de Atáója é sempre numerosa, não faltando, pois, a possibilidade de se encontrar uma Arugbá Òxun disponível. Atáója senta-se numa clareira e acolhe as pessoas que vêm assistir à cerimônia. Os reis e os chefes das cidades vizinhas estão todos os presentes ou enviam representantes. As delegações chegam uma após outra, acompanhadas de músicos. Trocas de saudações, prosternações e danças sucedem-se como formas de cortesia recíprocas, com animação crescente. Ao final da manhã, atáója, acompanhado do seu povo e dos seus hóspedes, aproxima-se do rio e aí manda lançar oferendas e comidas, no mesmo lugar onde Laro o fizera outrora. Os peixes as disputam sob o olhar atento das sacerdotisas de Oxum. A seguir, Atáója dirige-se até as proximidades de um pequeno templo vizinho e senta-se sobre a pedra – Òkúta Laro -, onde seu ancestral Laro havia repousado em outros tempos. A adivinhação é feita para saber se Oxum está satisfeita e se ela tem vontades a exprimir. Atáója volta em seguida para a clareira, onde recebe e trata seus convidados com uma generosidade digna da reputação de Oxum, a rainha de todos os rios.

Oxum no Novo Mundo

No Brasil, os adeptos de Oxum usam colares de contas de vidro de cor amarelo-ouro e numerosos braceletes de latão. O dia da semana consagrado a ela é o sábado e é saudada, como na África, pela expressão “Ore Yèyé o!!!” (“Chamemos a benevolência da Mãe !!!” ).
 É recomendável fazer sacrifícios de cabras a Oxum e oferecer-lhe prato de mulukun (mistura de cebolas, feijão-fradinho, sal e camarões) e de adum (farinha de milho misturada com mel de abelha e azeite doce).
A sua dança lembra o comportamento de uma mulher vaidosa e sedutora que vai ao rio se banhar, enfeita-se com colares, agita os braços para fazer tilintar seus braceletes, abana-se graciosamente e contempla-se com satisfação num espelho.O ritmo que acompanha as suas danças denomina-se “ ijexá” , nome de uma região da África, por onde corre o rio Oxum.
No Brasil, ela é sincretizada com Nossa Senhora das Candeias, na Bahia, e Nossa Senhora dos Prazeres.

2 comentários:

  1. Interessante, entrei em mais de 50 blogs para ver sobre o omoloku para oxum, mas para minha surpresa os textos são completamente iguais, como se um colasse do outro, não se faz comida para orixá com tempero, muito menos cebola, daria um resultado reverso, a cebola eh usada p exu n p oxum...

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  2. Olá Priscila, boa tarde! Bem , fui ensinada assim, e se nós gostamos de uma comida bem feita e temperada, por que não o Orixá! Sempre fiz assim, e com axé dos Orixás, sempre fui atendida. O segredo não é o certo , ou o errado... o Segredo é fazermos tudo com o coração transbordando de fé e amor!

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