quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Oxumarê


Oxumaré

Simbolizado pela serpente. Sua tradução, quer dizer: arco íris, bem como uma versão, essencialmente masculino, e outra, como fêmea ou macho (Besèn e Frekuén). Besèn, a parte feminina de Oxumarè, que se transforma durante seis meses do ano (também evidenciado pela sua mudança de pele). Parente de Nanã e Obaluaiye, o que mostra sua relação com a terra e seus ancestrais.
É a mobilidade e a atividade. Uma de suas obrigações, em suas múltiplas funções, é a de dirigir o movimento, é o senhor de tudo que é alongado. O cordão umbilical, que está sob o seu controle; é o símbolo da continuidade e permanência e, algumas vezes é representado por uma serpente que se enrosca e morde a própria cauda. Sua dupla natureza de macho e fêmea é simbolizada pelas cores vermelha e azuis que cercam o arco íris, ou, verde e amarelo dependendo da região. Também representa a riqueza, um dos benefícios mais apreciados no mundo dos yorubás. Seus iniciados usam brajás, longos colares de búzios, enfiados de maneira a parecer escamas de uma serpente, e trazer na mão um ebiri, espécie de vassoura feita com nervura das folhas de palmeira, ou Idan duas cobras em ferro forjado. Durante suas danças, apontam alternadamente para o céu e para a terra.
Através do arco íris, se torna o elemento de ligação entre o céu e a terra, fazendo a ponte aiyé-orún, transporta mensagens e oferendas. No Dahomé, chama-se Dan, na nação Angola, como Angoro, sua saudação é Aroboboy. Suas oferendas devem ser entregues lagos ou poços de água. O lugar de origem deste Orixá seria Mahi, no ex-Daomé. Òsùmàré é Orixá da riqueza e é chamado de Ajé Sàlugá na religião de Ifé, onde diz que chegou os 16 companheiros de Odùdùwa.
Ele é simbolizado por uma grande concha. Os orikis (rezas) de Òsùmàré são bastante descritivos como esta: "Osùmàré que fica no céu, controla a chuva que cai sobre a terra, chega à floresta e respira como o vento. Pai venha até nós para que cresçamos e tenhamos longa vida". Dizem que Òsùmàré vive no céu e vem a terra para beber água e que carregou a água do mar para o palácio de Sàngó.
O exótico e o mistério são os seus domínios. Tudo nele é repetitivo, variando apenas as formas, como no ciclo da chuva: a água que evapora, retorna como chuva. Ou como no universo dos corpos celestes, onde a lua, o sol, a terra e os demais astros e planetas executam os seus movimentos com metodicidade harmoniosa. No ciclo "vida e morte", ele também está presente; e seu símbolo mais forte é o da cobra mordendo a própria cauda, numa atitude que representa o ciclo vital: vida, morte e renascimento.
A marca mais evidente de Oxumaré é o arco-íris, de quem é senhor.




Arquétipos:
São persistentes e pacientes, não medindo esforços para atingirem seus objetivos. São generosos ou avaros, conforme a situação econômica em que se encontram. Agitados e observadores procuram constantemente o equilíbrio e a harmonia. Suas grandes forças são a eloqüência e a inteligência, armas que usam com muita habilidade em situação de ataque ou defesa.

Lendas:
Nanã, obcecada pela idéia de ter um filho de oxalá, concebeu o primogênito Obaluaye que, por sua terrível aparência, foi desprezado por ela. Nanã consultou ifá, e este orixá lhe disse que, numa segunda tentativa, ela daria a luz a um filho lindíssimo, tão formoso quanto o arco-íris. No entanto, preveniu-a sobre o fato que a criança jamais ficaria a seu lado. Seu sonho parecia realizado até o momento do parto, quando deu a luz a um estranho ser que recebeu o nome de oxumaré. Durante seis meses a criatura tomava a forma de arco-íris, cuja função era levar a água para o castelo de oxalá, que morava em orun (no céu). Depois de cumprida a tarefa, ele voltava a terra por outro seis meses, assumindo a forma de uma cobra. Com essa aparência, ao morder a própria cauda, dando a volta em torno da terra, ele teria gerado o movimento de rotação, bem como o transito dos astros no espaço. É um orixá que representa polaridades contrarias como o masculino e o feminino, o bem e o mal, a chuva e o tempo bom, o dia e a noite, respectivamente, através das formas do arco-íris e serpente.

BESÉM

O culto à serpente remonta desde o início dos séculos. Os romanos e os gregos já prestavam culto à cobra, sendo os povos que mais difundiram em séculos passados este culto. No Egito, a serpente era venerada e encarregada de proteger locais e moradias. Cleópatra era uma sacerdotisa do culto à serpente. Todos os seus pertences e adornos eram em formatos de cobras e similares. Este culto correu através do Rio Nilo as diversas regiões africanas. No Antigo Dahomé, este culto se intensificou e lá Dan, como é chamada a Serpente Sagrada, transformou-se no maior símbolo de culto daquele povo, também sendo chamado pelo nome de vodun-becém. Já os yorubás chamaram esta mesma entidade de Oxumare ou a Cobra Arco-íris; e os negros Bantos, de Angôro.
Na verdade, aí falamos de uma só divindade com vários nomes dependendo da região em que é cultuada. Mas, Oxumare, como é mais popularmente conhecido no Brasil, é o Orixá que determina o movimento contínuo, simbolizado pela serpente que morde a própria cauda e enrola-se em volta da terra para impedí-la de se desgovernar. Se Oxumare perder-se a força, a Terra vagaria solta pelo espaço em uma rota a seguir, sendo o fim do nosso Planeta. É o orixá da riqueza, um dos benefícios mais apreciados não só pelos yorubás como por todos os povos da terra.

VODUM DAN/BESSEN

Aido Wedo (aidô uêdô) e Dambala são para o povo Jeje os maiores deuses. Aido Wedo é o arco-íris e Dambala a sua imagem refletida nas águas oceânicas.O Dangbé é a serpente sagrada que representa o espírito de Vodum Dan. Na África esse Vodum é conhecido como -"DA". Dada - Termo pelo qual o Vodum Dan é louvado. A coroa de Dan é chamada de coroa de "Dada". Dan tanto pode ser um Vodum masculino quanto pode ser um Vodum feminino, porém para tratá-lo, fazê-lo ou assentá-lo temos que cuidar sempre do casal. Como dizem os antigos "cobra não anda sozinha, seu parceiro esta sempre por perto". Dambala também é conhecida como Daidah (daídar) – A "Cobra–Mãe". Essa Vodum não pode ser feita em mais de duas pessoas num mesmo país. Os velhos vodunos contam que ela é originária da Palestina. Em uma outra versão, encontramos Daidah como Lilith, a primeira mulher de Adão.

Os símbolos de Dan são: o arco-íris, a serpente pithon, o traken ou draka, patokwe, o dahun, a.. takara. e o ason (assôm). Seu principal atinsa (atinsá) dentro de uma casa de Santo é denominado Dan-gbi, que é onde o arco-íris se encontra com a terra ("panela lendária do tesouro!"). Dan usa muitos brajás feitos de búzios. As aighy (aigri) são importantíssimas em seus assentamentos. Para nós, Vodum Aido Wedo é o verdadeiro deus da vidência, é ele junto com Vodum Fa, quem dá aos bakonos o poder do oráculo, assim como deu a Yewa e a Legba.

  • Osumare = Chamado Araka seu epíteto. É o orixá do arco-íris e da transformação, não deve ser confundido com o vodun Bessem que se apresenta como Dangbe, Bafun, Danwedo todos da família Danbira e cultuados em outra nação.
  • Deus da chuva e do arco-íris. É, ao mesmo tempo, de natureza masculina e feminina. Transporta a água entre o céu e a terra.
  • Elemento: água
  • Personalidade: sensível e tranqüilo
  • Símbolo: cobra de metal
  • Dia da semana: quinta-feira
  • Colar: amarelo e verde
  • Roupa: azul claro e verde claro
  • Sacrifício: bode, galo e tatu
  • Oferendas: milho branco, acarajé, coco, mel, inhame e feijão com ovos

Arquétipos

São pessoas com tendência a riquezas, generosos, não negam ajuda, têm beleza própria, são elegantes, despertam atenções, pessoas dadas e surpresas, dinâmicos e curiosos, inteligentes, espertos, pacientes e perseverantes. As vezes um pouco exibicionistas e raivosos, possuem cacoetes, são cobras embrulhadas em papel de presentes, dão o bote sem esperar.

Ervas
  • Ìróko = Folha de Ìróko
  • Monan = Parietária, brotozinho.
  • Bala  = Taioba
  • Jamin  = Cajá
  • Aberê-ejó  = Pente de Òsúmarè
  • Aferê  = Mutamba
  • Obô  = Rama de leite
  • Exibatá = Golfo redondo do monam
  • Jacomijé = Jarrinha
  • Tinim = Folha da neve branca, cana-de-brejo.
  • Peculé =Mariazinha
  • Tolu-tolu = Papinho-de-peru
Oferenda

Serpente para Oxumarê
Ingredientes:
500g. De batata doce
dendê
Feijão fradinho
Modo de preparo:
Depois de cozinhar a batata doce descasque regue com dendê e amasse-a até formar uma massa homogênea. Em um alguidar molde duas serpentes em forma de círculo, sendo que a cauda de uma encontre-se com a cabeça da outra. Com o feijão fradinho forme os olhos e enfeite o restante do corpo com alguns grãos de feijão fradinho (a seu critério), regue com dendê e ofereça ao orixá.

Òxùmàrè na África

Oxumaré é a serpente-arco-íris; suas funções são múltiplas.
Diz-se que ele é um servidor de Xangô e que seu trabalho consiste em recolher a água caída sobre a terra, durante a chuva, e leva-la de volta às nuvens... Mas achamos nesta definição certo tom educativo e descritivo dos fenômenos da natureza para escolas primárias ocidentais.
Oxumaré é a mobilidade e a atividade. Uma de suas obrigações é a de dirigir as forças que produzem o movimento. Ele é o senhor de tudo o que é alongado.
            O cordão umbilical, que esta sob seu controle, é enterrado, geralmente com a placenta, sob uma palmeira que se torna propriedade do recém-nascido, cuja saúde dependerá da boa conservação dessa árvore.
Ele é o símbolo da continuidade e da permanência e, algumas vezes, é representado por uma serpente que se enrosca e morde a própria cauda. Enrola-se em volta da terra para impedi-la de se desagregar. Se perdesse as forças, isso seria o fim do mundo... Eis aí uma excelente razão para não se negligenciar as suas oferendas.
Oxumaré é, ao mesmo tempo, macho e fêmeo. Esta dupla natureza aparece nas cores vermelha e azuis que cercam o arco-íris. Ele representa também a riqueza, um dos benefícios mais apreciados no mundo dos iorubás. Certas lendas de Ifá contam que “ele era, outrora, um babalaô ‘filho-do-proprietário-da-estola-de-cores - brilhantes”.
Começou a vida com um longo período de mediocridade e mereceu, por essa razão, o desprezo de seus contemporâneos.
Sua chegada final à glória e ao poder é simbolizada pelo arco-íris, que, quando aparece, faz as pessoas exclamarem: ‘Ora, ora, eis Oxumaré!’ Isso mostra que ele é universalmente conhecido e, como a presença do arco-íris impede que a chuva caia, demonstra também a sua força” .
Uma outra lenda: “Este mesmo babalaô Oxumaré vivia duramente explorado por Olofin, o rei de Ifé, seu principal cliente. Consultava-lhe a sorte de quatro em quatro dias, mas o rei remunerava seus serviços com extrema parcimônia e Oxumaré viva num estado de semi-penúria. Felizmente para ele, foi chamado por Olokum, rainha de um reino vizinho, cujo filho sofria de um mal estranho: não conseguia se manter em suas próprias pernas, tinha crises, nesses momentos, rolava sobre as cinzas ardentes do fogareiro. Oxumaré curou a criança e voltou a Ifé repleto de presentes, vestido com riquíssima vestimenta do mais belo azul. Olofin, espantado por este repentino esplendor e lastimando sua avareza passada, rivalizou em generosidade com Olokum, dano também a Oxumaré presentes de valor e oferecendo-lhe uma roupa de uma bela cor vermelha. Oxumaré ficou rico, respeitável e respeitado, sem imaginar que tempos melhores ainda o esperavam. Olodumaré , o deus supremo, sofria da vista e mandou chamar Oxumaré; uma vez curado por seus cuidados recusou-se se separar dele. Desde essa época, Oxumaré reside no céu e só de tempos e tempos tem autorização de pisar na terra. Nessas ocasiões, os seres humanos tornam-se ricos e felizes” .
O lugar de origem desse orixá, como Obaluaê e Nanã Buruku, seria em Mahi no ex-Daomé, onde é chamado Dan. As contas azuis, segi para os iorubás, são aí chamada Danni (excremento-de-serpente) na língua fon. Segundo a tradição, essas contas são encontradas sob a terra, onde elas teriam sido evacuadas pelas serpentes; diz-se que elas têm um valor igual ao próprio peso em ouro.
Dan desempenha, entre os mahi e os fon, um papel mais importante que Oxumaré para os iorubás, como divindade que traz a riqueza aos homens. O orixá da riqueza é chamado Aje Sàlugá na região de Ifé, onde se diz que chegou entre os dezesseis companheiros de Odùduà. Ele é simbolizado por uma grande concha.

Os oríkì de Oxumaré são bastante descritivos:

  • Oxumaré fica no céu
  • Controla a chuva que cai sobre a terra.
  • Chega à floresta e respira como o vento.
  • Pai venha até nós para que cresçamos e tenhamos longa vida.

Oxumaré no Novo Mundo

No Brasil, as pessoas dedicadas a Oxumaré usam colares de contas de vidro amarelas e verdes; a terça-feira é o dia da semana consagrado a ele. Seus iniciados usam brajá, longos colares de búzios, enfiados de maneira a parecer escamas de serpente, e traz na mão um ebiri, espécie de vassoura feita com nervuras das folhas de palmeira. Outras vezes seguram também uma serpente de ferro forjado.
Durante suas danças, seus iaôs apontam alternadamente para o céu e para a terra. As pessoas gritam “Aoboboí!!!” para saudá-lo.
A Oxumaré são feitas oferendas de patos e pratos de comida onde se misturam feijão, milho e camarões cozidos no azeite-de-dendê.
Na Bahia, Oxumaré é sincretizado com São Bartolomeu, festejam-no numa pequena cidade dos arredores que leva seu nome. Seus fiéis aí se encontram, no dia 24 de agosto, a fim de se banharem numa cascata coberta por uma neblina úmida, onde o sol faz brilhar, permanentemente, o arco-íris de Oxumaré.

Arquétipo

Oxumaré é o arquétipo das pessoas que desejam ser ricas; das pessoas pacientes e perseverantes nos seus empreendimentos e que não medem sacrifícios para atingir seus objetivos. Suas tendências à duplicidade podem ser atribuídas à natureza andrógina de seu deus. Com o sucesso tornam-se facilmente orgulhosas e pomposas e gostam de demonstrar sua grandeza recente. Não deixam de possuir certa generosidade e não se negam a estender a mão em socorro àquele que dela necessitam.

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