quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

“Sobre as Qualidades de Orixas”


“Sobre as Qualidades de Orixas”

Existe sem duvida no Brasil uma questão muito polêmica sobre as multiplicidades dos orixás chamada por todos de qualidade de santo. Essa 
questão será esclarecida nessa coluna exaustivamente para que todos possam ter 
acesso. Primeiro na África fica mais fácil o entendimento porque não há 
qualidade de santo; ou seja, em cada região cultua-se um determinado orixá que é 
considerado ancestral dessa região e, alguns orixás por sua importância acabam 
sendo conhecido em vários lugares como é o caso de Sàngó, Orumila, etc. é de se 
saber que Exú é cultuado em todo território africano. Vejam bem: Oxum da cidade 
de Osogbo é Oxum Osogbo, da região de Iponda é a Oxum de Iponda, Ogum da região 
de ire é Ogum de Ire (Onire: chefe de ire), do estado de Ondo é Ogum de 
Ondo, etc. Na época do tráfico de escravos vieram para o Brasil diversas etnias 
Ijexá, Oyos, Ibos, Ketus, etc. E cada qual trouxe seus costumes juntos com seus 
orixás, digamos particulares, e após a mistura dessas tribos e troca de 
informações entre eles cada sacerdote ou quem entendia de um determinado orixá 
trocaram fundamentos e a partir daí surge às qualidades, e essa quantidade de 
orixá presente aqui no Brasil, sendo que o orixá é o mesmo com origens 
diferenciadas. É claro que por ter origens diferenciadas seus cultos possuem 
particularidades religiosas e até mesmo culturais, por exemplo, Oyá Petu tem seus 
fundamentos assim como Oyá Tope terá o seu isso nada mais é que uma passagem 
do mesmo orixá por diversos lugares e cada povo passou a cultuá-lo de acordo com 
seus próprios costumes. Um exemplo mais nítido é que aqui fazemos muitos pratos 
para Oxum com feijão fradinho, entretanto num determinado país não há esse 
feijão, portanto foi substituído por um grão semelhante e assim puderam continuar 
com o culto a Oxum sem a preocupação de importar o feijão fradinho. Outro 
exemplo de orixá transformado em qualidade no Brasil é Oxum kare, Kare é uma 
louvação a Oxum quando se diz: Kare o Oxum! A palavra kare também é uma espécie 
de bairro na África, logo Oxum cultuado em kare é Oxum kare, e por vai surgindo 
desordenadamente essa quantidade de orixá aqui no Brasil. Imagine um rio que 
atravessa todo território Nigeriano e, em suas margens, diversas etnias que num 
determinado local algumas pessoas diriam que ali é a morada de Oxum Ijimu (cidade 
de Ijumu na região dos Ijexá). Mais para frente em Iponda diria aqui é a morada 
de Oxum Iponda, mais para frente, em Ede esse rio terá o culto de Ologun Ede, o 
chefe de guerra de Ede segundo sua mitologia, e serão diversos orixás cultuados 
num mesmo rio por diversas etnias com pequenas particularidades. Isso acontece 
com todos os orixás e suas mitologias fazem alusão a essas passagens e constantes 
peregrinação de seus sacerdotes quer por viagens comercias ou por guerras 
intertribais sempre espalharam seus orixás em outras regiões. Outro fato 
interessante são títulos que algumas divindades possuem e foram transformadas em 
qualidades. Por exemplo, Oxossi Akueran: akueran é um titulo de um determinado 
caçador (ancestral) com isso vamos à próxima edição analisar esses fatos e 
informar todas as qualidades de orixá da nação ketu que o sacerdote pode ou não 
mexer de acordo com o conhecimento de cada um, pois o nosso dever é informar sem 
a pretensão de nunca ser o dono da verdade. Na próxima edição vamos diferenciar, 
títulos de nomes de cidades, nomes tirados de cânticos que as pessoas insistem 
em dizer que é qualidade de orixá. 

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